sexta-feira, 16 de abril de 2010

Desenhos do 3ºA

Eis as invenções especiais do Ateliê Filosofia com Crianças...

Algumas são espaciais!! Criatividade a todo o vapor!!



















































Filosofia com Crianças

Texto de Apoio para o Ateliê.


Leonardo Bizarro


Cu-cu!!! Sou a Ágata!
Conhecem o Leonardo?
O Leonardo é meu amigo e eu sou a sua única amiga. Ele tem cabelos encaracolados e um ar doce. Os outros miúdos acham-no um pouco bizarro: «Ele é estranho», dizem.
Por vezes Leonardo ouve, mas apenas sorri…
Preciso de vos dizer que Leonardo não gosta de jogar à bola, Leonardo não gosta de ver televisão, Leonardo não gosta de zaragatas e Leonardo não gosta de petardos.
Eis então! Leonardo tem um grande segredo. Tudo começou no dia do aniversário dos seus 6 anos. Ele via o seu pai colocar a gravata e a sua mãe fazer pompons e pensou: «E se eu inventasse a gravata de pompons?»
E inventou-a!

Num outro dia, na rua, viu um bonito boné e, num carro antigo, uma buzina que fazia pó-pó… E pensou «e se eu inventasse um boné que faz pó-pó quando se salta ao pé-coxinho?»
E inventou-o!

Na semana passada inventou uma coisa especialmente para mim! A nossa professora Celeste, tinha-me punido porque eu chupava um bombom na aula.
À noite (regressamos sempre para casa juntos), Leonardo disse-me:
- Sabes Ágata, estava triste quando a professora te puniu, então pensei: «a professora não me diz nada quando eu chupo o meu lápis, mas ela pune a Ágata quando ela chupa um bombom. E se eu inventasse um Bombom-lápis?»
E inventou-o!

Propositadamente para mim, estão a ver?!
O Leonardo é um super-inventor!!
Ele inventa….artimanhas, bugigangas, coisas, engenhos, máquinas...
No seu sótão de invenções, (demasiado secreto) ele faz construções fantásticas, mirabolantes! Leonardo é verdadeiramente um rapaz dotado!

Ele comprou um grande caderno (eu sou a única pessoa no mundo que tem direito a lê-lo!) onde escreveu:

_____________CADERNO ESPECIAL DE INVENÇÕES______________
_______________________LEONARDO________________________
RECEITA PARA INVENTAR
1. Olhar bem as coisas e observá-las.
2. Fechar os olhos para deixar vir as ideias.
3. Ir para um lugar muito muito tranquilo.
4. Desenhar.
5. Construir a máquina, a artimanha, a engenhoca…
6. Encontrar um código secreto.

Mais uma edição do Jornal de Parede do Departamento de Línguas

Continuem o Bom Trabalho!!


quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ateliê de Filosofia com Crianças

Em parceria com a BE da Escola Básica S. Pedro do Mar, este Ateliê continua a dar frutos.
Partindo de um texto de Leonardo Bizarro, os alunos inventaram coisas especiais...










Uma pequena brincadeira...ou talvez Não!!

Quais serão os cereais electrizantes que a Coordenadora da BE e a sua equipa tomam ao pequeno-almoço, uma vez que o ritmo deste serviço é tão alucinante que não conseguimos acompanhar todas as publicações???


Calma... é preciso ter Calma!!! Não dar o corpo pela Alma!!

Já descobrimos... os jornalistas estão a chegar...eles andam aí!!

Trata-se tão somente de um teste para saber se alguém lê as mensagens ou apenas vê as imagens!

Campeonato ESLA da Língua Portuguesa

Dirigido aos alunos do PLNM.
Esta é uma forma interactiva de estimular as competências da Língua Portuguesa.

A Hora do Conto na BE - PLNM





Mais dois contos lidos e avaliados na Biblioteca:
O Malvado Baratinha e Vingança pelo Irmão
Surpreendente!!!!

Clube de Leitura no Ensino Nocturno - Continuação

Estes foram os poemas escolhidos...Deliciem-se!! E, já agora, Comam Chocolates!!

O silêncio é dos pássaros
Os que não têm pão
Da vida inesgotável
Cantam silêncio em prata nocturna
Prata secreta da noite
Vaga e fútil
Das quimeras amorosas na noite
Na noite das pratas
Das pratas roubadas ao senhor mais rico
Na vida dos pássaros
Na fuga da vida falhada aos gritos
Um grito na vida falhada aos gritos um grito na altura
No espaço
Entre a morte
E o último vagão da vida
Da vida dos pássaros
Numa sombra que nunca se deixa apanhar
Na luz que nunca se deixa pintar
Nem apagar mesmo no espelho
Que te abraçou na tormenta
Construída pelo lar fora
Pelo lar fora dos pássaros
O fora do risco que escapou ou vento
E no picar do nervoso do pássaro mais rico
Um dos pássaros mais ricos
E os dois mil voltes dum fio
Que pareceu em instantes
O peixe entre o vento
E o picar de nervoso do pássaro mais rico
Nem o homem nem o diabo
Nem a mulher
Nem a laborada
Mas os fogos todos inteiros
A mão de fogo constante
Inalteravelmente vermelho
No irremediavelmente delicado
Em seus arabescos de morte
No céu mais mudo do silêncio
Sumir em chamas
Para os pássaros nos tudo o que antes fora, a fuga entre a vida dos pássaros
No risco mais fino do silêncio
Entre o palpitar do mundo
E a vida dos pássaros
Arder muito simplesmente
Em fraca esperança
Na data medida do desejo de dentro
O dentro do fogo branco
O fogo – branco – desejo
Arder em pena cair do vento
No risco mais fino do silêncio
Entre o palpitar do desejo
E o silêncio que pertence aos pássaros

Fernando Lemos

Peregrino
No barco da minha vida
viajo marés de esperança
sou vela redonda lisa
um mastro na tarde mansa
Navego de longe a longe
dei voltas, voltas ao mundo
sou proa de areia e concha
um beijo no azul profundo
Não tenho beira nem rua
nem oiro que a terra adora
levo porões de amor
que entorno pelo mundo fora
Não tenho searas verdes
nem casa de vela acesa
no coração feito mala
transporto a minha riqueza
No vente das sete rosas
nas sete rosas do vento
o meu coração de espuma
à voz do mar ganha alente
Caminho na linha recta
do cais da minha ternura
onde o mar sabe a rosas
e há nascentes de água pura
Maria Natália Miranda
(Antologia) Poetas de Sempre
Emilia


PAZ NA TERRA
NESTA TERRA TÃO SOMBRIA
EU VIVO TÂO AUSENTE
COM FALTA DE ALEGRIA
E MUITAS VEZES DOENTE
VEM CANTAR UMA CANÇÂO
PARA ME DARES ALEGRIA
VEM DEPRESSA MEU IRMÂO
A VER RAIAR NOVO DIA
EU QUERO VER OS JOVENS
TODOS A DAR AS MÂOS
PARA QUANDO FOREM HOMENS
SEREM TODOS COMO IRMÂOS
QUERO VER PAZ NA TERRA
PARA VIVER EM AMIZADE
PORQUE A FELICIDADE
NUNCA SE FAZ COM GUERRA
ACABEM AS VINGANÇAS
PARA NINGUÉM SE AGREDIR
PARA VERMOS AS CRIANÇAS
COM O ROSTO A SORRIR
QUERO VER O SOL BRILHAR
NO AZUL CÉU REFLECTINDO
PARA ESTE MUNDO MELHORAR
PARA VER ROSTOS SORRINDO

AUTOR JOSÉ JOAQUIM DOS SANTOS

A GALINHA (excerto)

Minha mãe e minha tia foram à feira. Minha mãe com o meu pai e minha tia com o meu tio. Mas todos juntos. Na camioneta da carreira. Na feira compraram muitas coisas e a certa altura minha mãe viu uma galinha e disse:
- Olha que galinha engraçada.
E comprou-a também. Estava agachada como se a pôr ovos ou a chocá-los. Era castanha nas asas, menos castanha para o pescoço, e a crista e o bico tinham a cor de um bico e de uma crista. Nas costas levara um corte a toda a volta para se formar uma tampa e meterem coisas dentro, porque era uma galinha de barro. Minha tia, que se tinha afastado, veio ver, estava a minha mãe a pagar depois de discutir. E perguntou quanto custava. A mulher disse que vinte mil réis, minha tia começou aos berros, que aquilo só se o fosse roubar, e a mulher vendeu-lhe uma outra igual por sete mil e quinhentos. Minha mãe aí não se conformou, porque tinha regateado mas só conseguira baixar para doze e duzentos. A mulher disse:
- Foi por ser a última, minha senhora.
Minha tia confrontou as duas galinhas, que eram iguais, achando que a de minha mãe era diferente.
- Só se foi por ser mais cara - disse minha mãe com a ironia que pôde.
Minha tia aqui voltou a erguer a voz. Não se via que era diferente? Não se via que tinha o bico mais perfeito? E o rabo?
- Isto é lá rabo que se compare?
E tais coisas disse e tantas, com gente já a chegar-se, que minha mãe pôs fim ao sermão, por não gostar de trovoadas :
- Mas se gostas mais desta, leva-a, mulher.
Foi o que ela quis ouvir. Trocou logo as galinhas, mas ainda disse:
- Mas sempre te digo que a minha é de mais dura, basta bater-lhe assim (bateu) para se ver que é mais forte.
- Então fica com ela outra vez - disse minha mãe.
- Não, não. Trafulhices, não. Está trocada, está trocada.
Meu tio estava a assistir mas não dizia nada, porque minha tia dizia tudo por ele e, se dissesse alguma coisa de sua invenção, minha tia engolia-o. Meu pai também estava a assistir, mas também não dizia nada, por entender que aquilo era assunto de mulheres. Acabadas as compras, minha mãe voltou logo com o meu pai na carroça do António Capador que tinha ido vender um porco. Mas a minha tia ficava ainda com o meu tio, porque precisavam de ir visitar a D. Aurélia, que era uma pessoa importante e merecia por isso uma visita para se ser também um pouco importante. E como ficavam e só voltavam na camioneta da carreira, a minha tia pediu a minha mãe que lhe trouxesse a galinha, para não andar com ela o dia inteiro num braçado, que até se podia partir. De modo que disse:
- Tu podias levar-me a galinha, para não andar com ela o dia inteiro num braçado, que até se pode partir.
Minha mãe trouxe, pois, as duas galinhas na carroça do António Capador, e a minha tia ficou. E quando à tarde ela voltou da feira, foi logo buscar a sua. Minha mãe já a tinha ali, embrulhada e tudo como minha tia a deixara, e deu-


lha. Mas minha tia olhou a galinha de minha mãe, que já estava exposta no aparador, e, ao dar meia volta, quando se ia embora, não resistiu:
- Tu trocaste mas foi as galinhas.
Disse isto de costas, mas com firmeza, como quem se atira de cabeça. E minha mãe pasmou, de mãos erguidas ao céu:
- Louvado e adorado seja o Santíssimo Nome de Jesus! Então eu toquei lá na galinha! Então a galinha não está ainda conforme tu ma entregaste! Então tu não vês ainda o papel dobrado? Então não estarás a ver o nó do fio?
Estavam só as duas e puderam desabafar.
- Trocaste, trocaste. Mas fica lá com a galinha, que não fico mais pobre por isso.
Minha mãe, cheia de compreensão cristã e de horror às trovoadas, ainda pensou em destrocar tudo outra vez. Mas aquilo já ia tão para além do que Cristo previra, que bateu o pé:
- Pois fico com ela, não a quisesses trocar. Só tens gosto naquilo que é dos outros.
E daqui para a frente, disseram tudo. Minha tia saiu num vendaval, desceu as escadas ainda aos berros, de modo que minha mãe teve ainda de vir à janela dizer mais coisas. Minha tia foi indo pela rua adiante, sempre aos gritos, e de vez em quando parava, voltando-se para trás para dizer uma ou outra coisa em especial a minha mãe, que estava à janela e lhe ia também respondendo como podia. Até que a rua acabou e minha mãe fechou a janela. E aí começou o meu pai, quando lá longe minha tia lhe passou ao pé e meu pai lhe perguntou o que havia e ela lhe disse o que havia, chamando mentirosa a minha mãe. Meu pai então disse:
- Mentirosa é você.
E começou a apresentar-lhe os factos comprovativos do que afirmara e que já tinha decerto enaipados de outras ocasiões, porque não se engasgava:
- Mentirosa é você e sempre o foi. Já quando você contou a história do Corneta, andou a dizer que
- Mentiroso é você, como sua mulher. Uma vez na padaria a sua mulher disse que
E daí foram recuando no tempo ……

Vergílio Ferreira, Contos,

Proposta de final para o conto:

-Mentirosa é você.
E começou a apresentar-lhe os factos comprovativos do que afirmava e que já tinha decerto enaipados de outras ocasiões, porque não se engasgava:
-Mentirosa é você e sempre o foi. Já quando contou a história do Corneta, andou a dizer que ele andava a roubar.
-Mentiroso é você, como sua mulher. Uma vez na padaria a sua mulher disse que vossemecê lhe batera.
E daí foram recuando no tempo… até à época em que eram jovens. Aí a coisa começou a aquecer e, palavra puxa palavra, disseram coisas desagradáveis uns aos outros. A mulher, depois de ouvir este alarido, veio também para o barulho. Entretanto chegou o marido da primeira e continuaram a discutir. Começou a chegar a vizinhança e entre eles o vigário da terra que os chamou à razão, que aquilo não passava de um mal entendido e não havia motivo para aquela discussão, uma vez que se tratava apenas de uma peça sem importância. Ouvindo as palavras certas resolveram esquecer e ficar amigos como uma família deve ser.
Teresa Manso
Nota: Este final foi votado pelos elementos do grupo.


Com vontade de aprender
voltei à escola outra vez
para falar bem e ler
e escrever bem português

Na oficina de leitura escrita
duas vezes por semana
numa aula muito bonita
dirigida pela professora Susana

Na cidade de Quarteira
na escola Laura Ayres
saber de certa maneira
ocupa melhores lugares

É à segunda e à sexta-feira
três horas de muita alegria
onde a gente de certa maneira
colocamos as conversas em dia

Quero aumentar meus saberes
mesmo estragando as canetas
não quero dar tantos erros
e nem trocar tanto as letras

Às vezes olho-me ao espelho
e fico olhando para mim
procurei se valia a pena, e ele
e ele respondeu-me que sim

Falamos, lemos e escrevemos
e às vezes lemos em voz alta
e aquilo que aqui aprendemos
a mim faz-me tanta falta

Anda a filha e a mulher
para me fazerem companhia
para eu agora aprender
aquilo que não sabia

É a Amélia, a Emília e eu
é o Zé e a Teresa
é a Zélia e o Abreu
é o Adam e o Lino
neste pequenino
aprendendo a língua portuguesa
José Manuel Duarte Filipe

Biografia
Nasci na encosta da serra
onde tudo era um encanto
comecei cavando a terra
mais tarde fui para a guerra
para uma terra distante
Guardei gado, fui pastor
no campo fiz quase tudo
agora sou ladrilhador
e as gotas do meu suor
regaram o chão bem fundo
Na Suíça fui emigrante
para ganhar o meu pão
onde o perigo era constante
espreitava em cada canto
trabalhava debaixo do chão
Agora moro em Quarteira
linda terra à beira mar
é amiga, companheira
e sempre para a vida inteira
é aqui que eu quero ficar
Fiz minha casa à esquadria
lindo lugar onde vivo
cá dentro escrevo poesia
e agora com muita alegria
vejo-a publicada num livro
Tenho um filho licenciado
uma filha ainda a estudar
sinto-me recompensado
por ter a oportunidade
de no canudo espreitar
Tenho uma netinha querida
com três aninhos de idade
quando a mente está dorida
ela adoça a minha vida
com muita facilidade
José Manuel Duarte Filipe

Estrelas de Esperança
Não conheces brinquedos, não tens pão nem escola,
É negado p` “los grandes”,o amor, o carinho…
Miseráveis os trapos, desajeitada a bola
Que chutas descalço em minado caminho!

Uma ferrugenta lata é o tambor, e que bom!
Um hino à família tragada pela guerra…
É mágico, sedutor e inconfundível o som
Mais puro, genuíno, da bela e quente terra!...

Pobre menino de pele massacrada e escura
Tens todo o encanto, a beleza, a candura.
De que se reveste o homem enquanto criança!

Querido ser humano, inocente, belo, puro,
Que tenhas sempre paz, amor e pão no teu futuro
E um céu de Natal com estrelas de esperança.

João Francisco da Silva
Verão de S. Martinho

Em Novembro, o nevoeiro,
Envolveu um cavaleiro
Jovem, mas cheio de brio.
Indo na sua montada,
Avistou junto da estrada,
Um velho com fome e frio

Nada nos bolsos ficou!
Tudo ao velhinho doou,
Ficando a pensar depois
No muito frio que estava
Desembainhou a espada
Fez a própria capa em dois.

Martinho, deu a metade
Ao velho, com tal bondade,
Que a recebeu contente!...
-Aceite-a meu amigo,
Que o pouco bem dividido,
Chega para muita gente

É uma história já antiga!
Mas ainda há quem,
Que o mendigo do caminho.
Elevou as mãos em prece,
E um milagre acontece:
Nasce o verão de S. Martinho

Oiço vozes murmurar.
Quando para p’ra pensar
No mendigo do caminha.
Se a bondade morrer.
Na juventude a crescer,
Morre o verão de S. Martinho.

Graziela Vieira


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Clube de Leitura no Ensino Nocturno

Sob a orientação da professora Susana Neves, os alunos do ensino nocturno reunem-se todas as semanas para a Acção Modular de Leitura e Escrita:

Estes são os poemas que cada um escolheu, dois deles são da autoria do senhor José Filipe, poeta popular da cidade de Quarteira, os quais podem ser consultados na seguinte hiperligação
http://reflexoeseoutrasdivagacoes.blogspot.com/

Estratégia brilhante de promoção da leitura!!! Imperdível!!!





A BE e a colaboração no 100 Comentários

Será possível que a Coordenadora da BE nos consiga, mais uma vez, surpreender com o seu famoso artigo?

Utopia Misantrópica


Seremos nós incapazes de imaginar um mundo perfeito e, consequentemente, uma existência humana perfeita?
A impossibilidade de estabelecer uma verdade absoluta no domínio do humano leva-nos a imaginar a perfeição apenas por contraste com os nossos tormentos maniqueístas e, como tal, nunca foi nem será possível imaginar um mundo perfeito sem o peso da tradição filosófica, histórica e cultural.
Como a serpente que morde a sua própria cauda num ciclo vicioso, os cidadãos da polis não são resilientes à coersividade irresistível da política sinónima, nos tempos actuais, de mentira e ilusão deliberada e organizada.
As utopias contrastam com a prevalência, mesmo em termos literários, das distopias que realçam a nossa existência infernal face à incapacidade inexorável de concebermos oniricamente uma verdadeira ideologia política, seja ela o estatismo ou o liberalismo.
Charles Dickens, H.G.Wells, Aldous Huxley, Voltaire, Hannah Arendt são apenas alguns exemplos profetizadores das consequências nefastas das várias mistificações políticas da nossa história recente.
Tertuliano terá dito “uma das principais alegrias do Céu é assistir às torturas dos danados”, a nossa consistirá não só em assumirmos que gostamos de ser ludibriados, mas também em assumirmos, de forma soberba e arrogante, que gostamos diabolicamente de ser despojados desse ludibriante.
Só isto justificará a nossa incapacidade de imaginarmos “ o paraíso na terra, a justiça universal, a felicidade cósmica”.
Será este o meu Cavalo de Tróia? Não, caso contrário entraria em contradição! Tratar-se-ia de objectivar mais uma impostura intelectual.

Vamos à Biblioteca - Falar Verdade a Mentir











As professoras Ângela Gonçalves e Cecília Assunção dinamizaram uma actividade na Biblioteca, com o objectivo de promover a leitura desta grande obra, deste eloquente escritor.


As turmas A e B do 8º ano integraram de forma interactiva esta actividade.

Os Prémios Nobel que ainda não são... Mas deveriam ser!

No mês de Abril Maria Velho da Costa foi a escritora escolhida.

Descobre porquê!!

Licenciada em Filologia Germânica, foi professora no ensino secundário e membro da direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Tem o Curso de Grupo-Análise da Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria. Foi membro da Direcção e Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, de 1973 a 1978. Foi leitora do Departamento de Português e Brasileiro do King's College, Universidade de Londres, entre 1980 e 1987. Tem sido incumbida pelo Estado português de funções de carácter cultural: foi Adjunta do Secretário de Estado da Cultura em 1979 e Adida Cultural em Cabo Verde de 1988 a 1991. Desempenhou ainda funções na Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e trabalha actualmente no Instituto Camões.

Consagrada, já em 1969, com o romance Maina Mendes, tornou-se mais conhecida depois da polémica em torno das Novas Cartas Portuguesas (1971), obra em que se manifesta uma aberta oposição aos valores femininos tradicionais. Às teses de reivindicação feminina já enunciadas em “Novas Cartas Portuguesas", acrescenta-se, na sua obra, um inconformismo quanto aos cânones narrativos, inconformismo esse que se pode verificar também na sua obra de ensaio.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Semana "A Ciência Na Tua Mão"

Actividades "fabulásticas"!
Participa e ganha prémios...

Te-Atrito apresenta...

Histórias para Crianças Mal Comportadas

As turmas convidadas foram as seguintes: 7ºA, 7ºB e o PIEF.
A Garra dos actores prendeu todo o auditório...
Assim vale a pena!!














Ateliê Filosofia com Crianças

Últimos trabalhos elaborados pelo 11ºF , no âmbito deste magnífico projecto.







Perguntar ou Responder??


A Filosofia para Crianças percorre o País!

Atelier de Filosofia para Crianças
Hotel Mercure, Batalha - Porto, 24 de Abril de 2010

Duração: 7h; Investimento: 55€ - Inclui coffee-breaks e todo o material de apoio; Inscrições em entelequia.filosofiapratica@gmail.com ou através
de 918 722 666/ 914 954 301 até ao dia 19 Abril.
!!Limite de 15 Inscrições!!
Formadores Certificados pelo Institute for the Advancement of Philosophy for Children(IAPC); Institut de Pratiques Philosophiques e American Philosophical Practioners Association (APPA)

Objectivos:
Fazer do pensamento um Laboratório de Ideias; Ampliar a tranquilidade face ao desconhecido; Desenvolver a Arte de Questionar; Operacionalizar uma Comunidade de Investigação.
Destinatários:
Educadores, Pais/Encarregados de Educação, Animadores, Professores, Profissionais de Bibliotecas, Estudantes do Ensino Superior, público em geral interessado na temática.

Concurso Sophia de Mello Breyner Anderson

Forma interessante de participação neste concurso. Parabéns à aluna!!
A Fada Oriana
Era uma vez uma pequena fadinha chamada Oriana, ela é uma fada que existe, mas que as pessoas não vêem.
É uma fada boa, pois a sua varinha só é usada para ajudar as pessoas, os animais, a natureza, enfim o mundo inteiro.
Um dia ela teve de escolher o seu destino, havia dois caminhos possíveis, ou se juntava às andorinhas e com elas fazia uma grande viagem pelo mundo, ou então ficava a cuidar da sua floresta, dos seus amigos e das pessoas que não viviam sem a sua ajuda. Na verdade, Oriana pensou muito e custou-lhe muito deixar as suas responsabilidades para trás, mas desta vez ela ia abrir asas e voar junto das andorinhas, ia conhecer cada canto do mundo e ver belezas que nunca tinha visto.
Antes de partir, a fada despediu-se de canto a canto da sua floresta, que no fundo era a sua casa, a sua vida.
Mal o sol nasceu, ela ergueu as asas e foi tratar dos pássaros, ajudou a recompor os ninhos desfeitos e deixou-lhes, como sempre, comida para alimentarem os passarinhos que tinham nascido há pouco tempo.
Em seguida, Oriana pegou na sua bolsa e foi ao rio buscar água para regar cada planta e, por fim, passou em todas as casas dos humanos para deixar o que faltava.
A sua mente preocupava-se com tudo o que ia deixar para trás, mas no fundo o seu coração dizia que ela precisava de conhecer o horizonte e ir direito ao céu.
Oriana partia enquanto deitava lágrimas sem fim, mas ao mesmo tempo com um sorriso na cara e um brilho na alma.
- Anda, não olhes para trás, é agora que vais conhecer o mundo! – aconselharam as andorinhas.
Oriana fechou os olhos e olhou em frente sem mais olhar para trás.
Depois de muito voarem pelo lindo céu azul, chegaram ao seu primeiro destino, uma terrinha chamada Laranja, e tinha este nome porque era a terra com mais laranjas no mundo.
– Andorinhas! O que são aquelas coisas redondas que têm uma cor linda e que reflectem cada raio de sol? – perguntou Oriana. – Minha querida Oriana, aquilo são frutas que se chamam laranjas e que além de serem lindas também são deliciosas. – responderam as andorinhas. Oriana nunca tinha visto aquele fruto, sorriu e foi visitar o resto da terra.
Ao final do dia, foram para uma árvore para poderem dormir.
Antes de adormecer, Oriana só conseguia pensar nas coisas novas que tinha visto e aprendido, as frutas brilhantes e deliciosas, as flores vivas e coloridas e também mal podia esperar pelo dia seguinte e pelas coisas que ia conhecer. Na manhã seguinte, Oriana foi a primeira a acordar e esperou pelas suas amigas.
- Hoje vamos a uma loja. – disseram as andorinhas. - Está bem. Vamos, vamos! – exclamou Oriana ansiosa. Chegaram à loja e Oriana reparou que era uma loja mágica onde as fadas eram vistas pelas pessoas.
Oriana passou lá dentro horas, a ver cada frasquinho e pote colorido.
Acabou por comprar um chá especial que, se ela o bebesse, se transformava numa rapariga normal, mas o efeito durava apenas quatro horas.
Oriana curiosa foi beber o chá e, de repente, desceu à terra e viu-se no meio da rua rodeada por pessoas e sorrisos.
Pela primeira vez, ela tinha a oportunidade de cumprimentar as pessoas e de falar com elas.
Apesar de não ter asas, Oriana nunca se tinha sentido tão livre, parecia estar a conhecer-se a si própria pela primeira vez. Sem esperar um segundo, Oriana foi visitar todas as lojas daquela rua, pôde comprar pulseiras, vestidos, brincos, agora podia ter a vida de uma simples rapariga, mas não era assim tão simples, pois, apesar de ter aproveitado cada segundo, as quatro horas passaram a correr e depressa voltou a ser a fadinha.
Foi guardar os sacos com as coisas novas na árvore e agradecer às andorinhas a experiência.
Mais tarde, foi sozinha dar uma volta pela terra. A uma certa altura, começou a ouvir um som estranho, mas que era maravilhoso e intrigante. Oriana decidiu seguir o som que a levou até ao mar, as ondas dançavam para a frente e para trás, pareciam incansáveis. Mais uma novidade para os olhos de Oriana, era algo inexplicável, pois conseguia transmitir tantos sentimentos ao mesmo tempo: medo, paixão, beleza, imaginação, tristeza, alegria; ali parecia que os opostos se ligavam formando um só.
Maravilhada com a vista, Oriana passou a noite na praia a observar o mar e também as estrelas brilhantes que cintilavam no céu.
Acabou por adormecer na praia e, na manhã seguinte, foi acordada pelas suas amigas andorinhas que lhe disseram para se despedir da terra, pois era hora de irem visitar novos sítios.
Sem demorar muito, deram uma última volta pela zona e partiram para novas aventuras.
Desta vez, ficaram numa cidade chamada Líris, diz-se que nela as pessoas encontram a verdadeira magia dentro de si.
Oriana tomou o seu chá especial e foi visitar a cidade.
Começou a conviver com as pessoas e a criar novos amigos.
Com o passar do tempo, a fada deixava cada vez mais o passado para trás e entregava-se ao presente.
Os seus dias já eram uma rotina e, a cada dia que passava, ela aproximava-se e afeiçoava-se às pessoas.
Naquela cidade, Oriana começou a descobrir novas sensações e novos sentimentos. Conviver com as pessoas, trocar carinho e amizade, chorar de tanto rir.
Mas Oriana estava agora prestes a descobrir um sentimento completamente novo: o amor.
Sem dar por isso, ela começava a sentir os sintomas da paixão.
Quando estava ao pé do seu amigo André, o seu coração batia mais depressa e o calor invadia-lhe o corpo. Da parte dele também se podia dizer o mesmo, pois ele sentiu aquilo a que se chama “amor à primeira vista”. Ele achava-a perfeita, cada madeixa do seu cabelo loiro, cada traço do seu rosto, o brilhar dos seus olhos azuis, simplesmente linda e de bom coração.
Passavam os dias juntos, momentos de pura inocência.
Oriana lamentava ter de ir embora ao fim de quatro horas, mas o seu segredo de ser fada não podia ser revelado.
Passados uns dias, as andorinhas avisaram Oriana que estava na hora de irem embora e ela ficou triste com a ideia de deixar a cidade, sentindo mesmo um aperto no coração ao pensar que ia deixar de estar com o André.
Na noite anterior à partida, Oriana ficou com o seu príncipe encantado, juntos foram passear pela praia e acabaram por adormecer abraçados. A lua banhava os seus corpos com luz e o som do mar acalmava as suas almas.
Sem saber como, o rapaz acordou sozinho na areia com um texto escrito ao seu lado, lá Oriana explicava que tinha de fazer uma viagem, mas também prometia voltar.
No rosto de André caiam suaves lágrimas sem parar e, dentro de si, ele decidiu que ia esperar todo o tempo do mundo para poder voltar a abraçar Oriana.
Chegou a hora, a fada e as andorinhas levantaram voo e foram para um novo lugar, um lugar que para a fadinha nada era igual, nada tinha o mesmo valor nem o mesmo encanto.
Ela andava sem direcção pelas ruas, sentia que o seu corpo estava lá, mas que o seu coração tinha ficado em Líris, a pequena cidade onde morava o rapaz que tinha conquistado o seu amor.
Passaram-se uns dias e Oriana tomou uma decisão, ela ia deixar as andorinhas para voltar para trás.
A viagem era para descobrir o mundo, mas o sentimento que tinha descoberto era mais.
A fada despediu-se das suas amigas e agradeceu por tudo pois era graças a elas que Oriana tinha vivido os melhores momentos da sua vida.
Sem hesitar, Oriana voltou para trás, agora era hora de tornar o sue sonho realidade.
Quando Oriana chegou a Líris foi logo à procura do André, mas não o encontrou, por isso foi perguntar aos seus amigos. Estes deram-lhe uma triste notícia, o rapaz tinha desaparecido.
Oriana, ao ouvir aquelas palavras, só conseguia sentir culpa dentro de si e medo de o perder. Sem esperar foi proculá-lo por todo o lado, cada beco sem saída, cada casa, cada canto, cada banco de jardim e finalmente Oriana encontrou-o na praia, no sítio exacto onde tinham estado juntos pela última vez.
E foi naquela hora, com aqueles minutos e segundos que o mundo parou de girar enquanto os seus lábios se cruzavam suave e delicadamente um no outro.
De mãos dadas, sentiam estranhos choques eléctricos que lhes percorriam o corpo e o brilho da sua alegria era mais forte do que o reflexo da lua nas ondas do mar.
A sua felicidade aumentava de dia para dia, mas Oriana tinha de fazer uma grande decisão, ela tinha de escolher entre a magia e o amor, pois se ela quisesse ser feliz naquele sitio e ter realmente uma vida normal para sempre.
Foi naquele momento que a fadinha decidiu entregar a sua varinha e as suas asas ao destino e entregar-se à vida sem medo pois ela nunca deixará de ser quem é, a força será a mesma, os sonhos serão os mesmos e principalmente, o coração será o mesmo. Oriana era agora uma rapariga como as outras.
Eis uma prova como por vezes pequenas decisões mudam a nossa vida e que se aproveitarmos as coisas boas nunca nos iremos arrepender.
Ela trocara a sua varinha pelo amor e agora irá ser feliz para sempre com a magia que descobriu dentro de si.