sexta-feira, 21 de maio de 2010

Diferenças Culturais por Andrea Liebzeit

Este foi o programa apresentado pela ilustre convidada:
- Diferenças culturais;
- pequeno teatro – uma cultura é vista de acordo c/ a herança cultural de cada povo;
- diferenças entre Alemanha e Portugal: pequeno-almoço, pontualidade ....
- Apresentação do programa do curso Técnico de Hotelaria aos alunos.

Palavras para quê? A atenção e participação do auditório revelam o êxito desta actividade, organizada pelo grupo de Inglês/Alemão.
Sempre em cima do acontecimento...A BE continua ao serviço da comunidade!!










quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Arte, a Imaginação e a Filosofia

















Depois da viagem meditativa, o desafio filosófico foi o de seleccionar uma palavra e metamorfoseá-la em desenhos.
Estes são os resultados.
Divirtam-se e vejam se são capazes de fazer melhor... Eh, eh...
Obrigada aos alunos do 3º A e à professora Fátima Lopes pela oportunidade de dar a conhecer este ateliê.

Ateliê de Filosofia com Crianças












Neste último dia, a turma do 3º ano iniciou a sessão através da audição de um CD de Histórias para crianças meditarem e viajarem. A viagem correu tão bem que, adormecidos, permaneceram durante alguns minutos nas nuvens...
Até que a professora Laurinda os acordou...não gritou, não puxou orelhas, apenas perguntou...
Parabéns à parceria estabelecida entre a nossa Biblioteca e a Biblioteca da Escola Básica do 1ºCiclo São Pedro do Mar.

Técnicas de Relaxamento - Mestre Maria Elisabete










O auditório da Esla transformou-se num espaço de harmonia e tranquilidade no dia 19 de Maio. A Mestre Maria Elisabete equilibrou as energias ao proporcionar, no final da sessão, bem estar a todos os presentes. Renitentes no início, alguns alunos deixaram-se apenas contagiar no final da sessão. Obrigada mestre pela sabedoria interior partilhada ...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Clever Cupid" pela companhia de teatro "Clever Pants Productions"








No dia 19 de Maio, algumas turmas ( 7º , 8º, 9º, 10º, 11º anos, as turmas CEF e PIEF) desta escola assistiram à peça de teatro "Clever Cupid", levada a cena pela companhia de teatro inglesa "Clever Pants Productions", no Centro Comunitário António Aleixo , em Quarteira. Organizada pelo grupo disciplinar de Inglês/Alemão, os objectivos da ida ao teatro perpassaram pela promoção da cultura inglesa, abordando de forma lúdica temáticas no âmbito da educação sexual e para a saúde.
Fantástico nos impactos face à reacção deslumbrada e entusiástica dos alunos presentes.
O auditório vibrou...

terça-feira, 18 de maio de 2010

“Os Dois Reinos” por Li Xin

Há muito, muito tempo, num pequeno reino, que sempre sofrera ataques dum reino vizinho, vivia um pretoriano. Esse homem trabalhava desde os seus dezoito anos, tendo como função defender o palácio e a família real.

Mas, hoje, esse homem exemplar não se encontra a vigiar o palácio, estava num bar onde bebia incessantemente, devido à decisão do rei.

No dia anterior, um diplomata do reino vizinho, acompanhado pela cavalaria, dirigiu-se ao palácio do pequeno reino para participar numa conferência diplomática. Enquanto, o diplomata era recebido pelo rei, o povo mantinha-se em frente ao palácio atento a todos os movimentos. As gentes do povo conversavam entre elas. Algumas preocupavam-se com a reunião, não sabiam qual seria a decisão tomada, outras discutiam, pois estavam preocupadas com o futuro do pequeno reino.

Três horas depois, a decisão do rei foi anunciada às gentes do pequeno reino. O rei aceitou o pacto de não agressão, mas decidiu, também, que o pequeno reino deveria entregar uma parte da sua riqueza ao seu reino, isto todos os anos, e que a princesa do reino pequeno deveria casar-se com o príncipe do reino vizinho.

Para as gentes do povo foi uma aflição. A princesa, de quem o povo gostava e respeitava, deixaria o pequeno reino. Mas, por outro lodo, foi também uma alegria pois a guerra iria terminar. Esta era a única forma do pequeno reino sobreviver.

Entretanto, o homem continuava a beber no bar.

Está a anoitecer, o sol pôs-se. Desde o início da tarde que as tropas da princesa, os seus soldados, as aias e o diplomata estam a caminho do reino vizinho.

-BANG- um barulho intenso se faz ouvir. A terra, bruscamente, treme.

O homem deixa de beber e levanta-se imediatamente. Neste momento, os barulhos continuam e no bar os copos e as garrafas caiem ruidosamente.

“A princesa e as suas tropas! Tenho que ir ver o que se passou”. Pensa esse homem. Apressa-se para sair do bar, chega rapidamente a casa, pega na sua espada e procura o seu cavalo, pois as tropas da princesa estão distantes do pequeno reino. Encontra o seu cavalo que está ao sol nas traseiras de casa.

O cavalo é todo preto, com excepção da crina que é cinzenta, tem, também, uma cicatriz branca no meio da testa. O cavalo é silencioso e inteligente.

Esse homem monta o seu cavalo e ambos partem, a grande velocidade para oeste.

O cavalo galopa cada vez mais rápido, o vento sopra fortemente; o tremor de terra é cada vez mais violento e os gritos estridentes soam cada vez mais alto.

Cerca de vinte minutos depois, esse homem, finalmente, chega ao lugar onde se encontram as tropas da princesa. O homem fica petrificado, pois há numerosos corpos no chão, a princesa medrosa encontra-se na sua carruagem, junto a um gigante irado que tinha pelo menos, cem metros de altura.

Esse gigante era robusto e louco, tinha cabelos rebeldes e pretos e uns olhos negros profundos. Segurava um bastão de madeira e ,debaixo do luar, parecia um monstro enorme e diabólico.

“Não consigo lutar com um gigante, mas tenho de salvar a princesa! O é que eu posso fazer?” Pensou o homem.

Enquanto esse homem pensava, em cima do seu cavalo, o gigante começou a observá-lo e de repente correu na sua direcção. O homem começou a puxar o cavalo para a direita sem pensar, ao mesmo tempo que o gigante se aproximava. Nesse momento, encontrou uma agulha gigante e brilhante que cravou na cabeça do gigante.

Mas, isso de nada serviu! O gigante ainda ficou mais enfurecido. Ele recomeça a atacar o homem, mas este consegue, mais uma vez, evitar o ataque. De repente , o homem tem uma ideia! Salta do cavalo e sussurra-lhe ao ouvido o plano que acabara de engendrar. O cavalo, que era muito inteligente, percebendo de imediato o plano, começa a andar à volta do gigante, fazendo com que este se distraia do homem. Em simultâneo, estando o gigante distraído, o homem começa a trepar pelo gigante, sem que este se aperceba. Sobe lentamente pelas pernas, pelas costas, pelo pescoço até que chegar à cabeça do gigante.

Aí, no meio do cabelo mal cheiroso, encontra a agulha gigante que poucos minutos antes cravara na cabeça do gigante. Fazendo um grande esforço, consegue arrancar a agulha.

É nesse momento, que um feixe de luz verde, que emana da agulha, atinge a princesa. Ouve-se um barulho ensurdecedor e, num clique, a princesa transforma-se numa burra branca. Na verdade, não era uma burra branca, mas sim cinzenta clara com um rabo castanho.

Quando o homem retira a agulha, o gigante recupera as suas forças e agitando-se consegue fazer com que o homem caia. Mas hoje, era o seu dia de sorte, pois conseguiu cair sentado no seu cavalo, embora tenha alguns ferimentos nas costas.

O homem desmontando o cavalo, aproxima-se da princesa, ou seja, da burra. A princesa burra parece estar confusa. Nesse preciso momento, o cavalo toca a agulha com o nariz.

“Se calhar ainda me vai ser útil”, pensa o homem, guardando a agulha no cinto. Depois, senta-se no chão e pensa no que deverá fazer agora.

“É melhor voltamos ao reino, mas a princesa burra está confusa e não consegue andar!”

-BONG- Novo barulho, a terra treme e interrompe os pensamentos do homem.

Como que por magia, o gigante, que coça a cabeça, agradece ao homem, e pengunta-lhe se o pode ajudar.

Esse homem tem uma ideia! Pede ao gigante se os pode levar para o reino. O gigante aceita. Põe o homem, o cavalo e a princesa transformada em burra em cima da cabeça. Embora a cabeça do gigante cheire mal, todos se sentem felizes com a ideia do homem.

O gigante corre velozmente em direcção ao reino. Pouco minutos depois, já próximos do reino, sentem que algo está mal, pois o ar é gélido e o castelo que se vê ao longe é negro como a noite.

De repente o ar ganha um cheiro insuportável. Todos os edifícios, todas as ruas, todas as plantas, todas as pessoas, todos os soldados, o castelo e todo o reino estão transformados em gelo.

Nesse momento, a princesa, isto é a burra, recupera as forças, mas transforma-se também, em gelo.

O homem cerra os punhos e começa a pensar profundamente.

-Vamos ao reino vizinho! – ordena o homem.

O gigante põe outra vez o homem, o cavalo e a princesa burra, agora transformada em cubo de gelo, em cima da cabeça e corre.

A calamidade ainda não terminou, uma mutação começa no corpo da princesa. A maior parte do seu corpo torna-se castanha, em vez de cinzento claro e o rabo castanho assim como a parte de trás do corpo ficam vermelhos.

O gigante corre mais rápido, pois no reino vizinho existem médicos e mágicos que conseguirão ajudar a princesa.

Poucos minutos depois, chegam à praia.

O reino vizinho situa-se no outro lado do mar, num ilha grande. O homem precisa de atravessar o mar.

O gigante consegue pedir emprestado um barco a um pescador gigante. De imediato o pescador arrasta o barco para o mar e chama o homem e os outros para entrarem no barco.

De repente, aparecem uns polvos gigantes que atacam e destroem todos os barcos e todos os gigantes. Os barcos afundam-se e para piorar a situação os polvos estão protegidos por bruxaria, anulando assim os ataques dos gigantes.

O homem também quer lutar, mas sente que é inutil. O cavalo parece adivinhar o pensamento do homem e aponta, com a cabeça, para a agulha.

O homem olha para a agulha, pensa que esta ainda está enfeitiçada. Dá a agulha ao gigante. O gigante segura-a, lança-a com força e esta pica profundamente a cabeça de um dos polvos. Esse polvo, bruscamente, incha e, poucos segundos depois, explode.

Com a morte deste polvo, todos os outros fogem para as profundeza do mar.

Embora tivesse ganho esta luta, todos os barcos se afundam.

Nesse momento, aparece o chefe da aldeia gigante, agredece, e, compreendendo a situação do homem, leva-os para sua casa. Já em sua casa, o chefe mostra o seu animal favorito, um dragão amarelo de tamanho médio, isto é ,com dez metros de altura. O chefe empresta o dragão ao homem para salvar os gigantes.

Esse homem e outros montam o dragão, deixam ficar o gigante na sua aldeia, porque o seu tamanho não lhe permite viajar nas costas do dragão.

O dragão deixa devagar a terra para subir ao céu e quando atinge determinada altura acelera.

Rapidamente, chegam à ilha do reino vizinho. O dragão continua a voar pelas florestas e planícies até que conseguem avistar o castelo do reino vizinho.

-Voa para abaixo – disse o homem.

O dragão começa a descer, contudo, um feixe de luz preto caótico, que surge de um monte, envolve todo o reino vizinho e , num momento, o reino vizinho desaparece.

O homem olha para o monte e vê uma enorme cratera. Pede, então, ao dragão que o deixe na cratera.

O dragão voa com ajuda dos últimos raios solares, lentamente e cuidadosamente.

O dragão atinge o chão de mármore. A cratera era um espaço circular, com luzes verdes nas paredes. Em frente do homem, há um portão vermelho da mesma altura da parede que é vinte vezes a altura do homem.

Enquanto o homem se apressava a entrar, o portão abre-se lentamente. Já passado o portão, o homem vê no fundo dum quarto um trono, onde está sentado um velho. O velho, que era mesmo muito velho, tinha 300 anos, 500 anos, 800 anos ou mais. A sua pele era mais encarquilhada que o tronco de uma velha árvore, o seu cabelo era mais seco que a areia e os seus olhos eram mais maléficos que os olhos do diabo.

O homem puxa a espada rapidamente, aproxima-se do velho e corta-o, mas a espada atravessa o velho sem o magoar, parece uma assombração.

O velho ergue o dedo indicador: e o homem e a princesa começam a flutuar no ar e o dragão não se consegue mover.

O homem debate-se, mas não consegue fazer nada.

- Finalmente, vocês vieram – disse o velho com um som seco. – Estava à procura de uma bruxaria que me tornasse jovem, mas para isso preciso do sangue fresco de uma princesa pura, uma cabeça viva de um dragão e um coração quente de um homem corajoso.

O velho ergue outra vez o dedo, a princesa, ou seja, a burra, transforma-se em princesa e o tom vermelho do seu corpo dirige-se para o velho. Esse vermelho é o sangue da princesa.

- Não! – grita o homem, que não consegue fazer nada.

Mas, hoje continuava a ser o seu dia de sorte.

O cavalo, já livre, relincha e a sua cicatriz começa a brilhar enchendo todo o espaço de luz. O cavalo desparece e um unicórnio surge no seu lugar.

O unicórnio, envolvido de uma luz suave, relincha novamente, anula as bruxarias que paralisam o homem e o dragão; o velho, assustado, levanta as mãos e emite um feixe de luz preto. Mas, de repente, a luz suave do unicórnio sobrepõem-se à luz preta. O velho é atingido e transforma-se num dragão com três cabeças.

As suas três cabeças aproximam-se e criam uma chama com três cores. Esse dragão tenta atingir o unicórnio, mas não consegue. Ao mesmo tempo, a luz suave rodeia o homem e a sua espada, no entanto, este consegue flutuar e atingir o dragão no meio das três cabeças.

Nesse momento, o dragão das três cabeças, transforma-se numa pedra.
...

Após a morte do velho, tudo o que tinha sido atingido pela sua bruxaria volta ao normal.

E o reino pequeno e o reino vizinho? Também eles voltam ao normal, voltam a reafirmar o pacto de não agressão e festejam assim durante três dias o casamento da princesa, que misteriosamente tem agora uma pequena cicatriz no meio da testa.

E o homem? O homem começa a viajar pelo mundo com o seu dragão amarelo e a sua mulher. E quanto tempo demora essa viagem? Como é hábito dos contos infantis, essa viagem demora uma eternidade.

"A Encruzilhada da Vida" por Irina Buraga

Era uma vez uma mãe que vivia com os seus dois filhos e com o seu marido nas proximidades de um palácio mágico. Mas, certo dia, o destino pregou-lhes uma partida, isto é, encarregou-se de lhes virar a vida do avesso, pois o marido faleceu. Assim sendo, a mulher encontrou-se sozinha com os seus dois filhos.
Começou assim uma vida difícil e miserável , pois a pobreza acompanhava-os diariamente. A mãe, coitadinha, esforçava-se tanto para obter alimentos para a sua família. Muitas vezes, ela não comia o dia inteiro e dava a sua parte aos seus filhos, estava muito fraca e o futuro parecia-lhe muito sombrio. Já tinha perdido a esperança e sozinha cuidava dos seus filhos, tentando satisfazer-lhes as necessidades. Às vezes, escondia-se no seu quarto e deixava-se vencer pelas emoções, chorava, olhava para o retrato do seu marido e sentia que já não aguentava mais, que se encontrava à frente de uma parede enorme e não era capaz de transpô-la. No entanto, o que lhe dava forças para continuar a lutar e vencer essa guerra, eram os seus filhos, pois eram os únicos que a apoiavam, a encorajavam e a animavam quando estava triste. O sonho desta mãe era ver os seus filhos adultos e com uma situação muito melhor do que aquela que ela lhes podia proporcionar. E talvez, se ainda tivesse forças, conhecer os seus netos e cuidar deles! Mas a realização deste sonho parecia-lhe estar muito longe, uma vez que o peso dos anos deixava uma profunda marca na sua saúde. O seu grande apoio era o seu filho mais velho, um jovem alto, formoso, de cabelo loiro, olhos azuis, charmoso e com carisma. Arthur, assim se chamava ele, sentia uma dor profunda, uma amarga dor na alma, quando via o esforço da mãe e sentia a sua incapacidade perante o seu sofrimento. Ele desejava ajudá-la, queria tirar-lhe uma parte do peso, mas ainda não era capaz.
Arthur era um grande guerreiro, que pertencia à escolta do rei, servia-o com dignidade, mas ao mesmo tempo, quando o olhava nos olhos, sentia-se invadido por sentimentos de ódio e de desprezo.
O rei Sargon era um homem forte, corajoso, respeitado, não pelas suas qualidades mas sim pelo seu mau feitio, pois atormentava com ameaças constantes os seus súbditos. Ele governava o seu reino no meio de mentiras e de muita crueldade.
Certo dia, a escolta do rei, na qual se encontrava Arthur, vinda de um campo de treino, apresentou-se ao rei. Mal viu Arthur, o rei propôs-lhe que pertencesse à sua guarda pessoal.
- O teu pai foi um grande patriota, aceitou servir o seu país e proteger-me. Espero que tu sigas o seu exemplo! És capaz de uma lealdade assim? – Perguntou e apontou o rei para um homem que se encontrava a três metros dele. Esse homem gritou:
- Longa vida a Sargon! – e, de seguida, cravou um punhal na sua mão.
- Eu…Sim, Senhor! – Disse Arthur.
- Então a fortuna e a glória serão tuas! – Afirmou o rei. Mas se tentares trair-me vais desejar que os Deuses te apliquem uma morte rápida. Para testar essa tua lealdade, tens de cumprir uma tarefa.
Ouvi dizer que és o melhor espadachim do reino!
- Aprendo muito rápido. – Afirmou Arthur.
- Tragam o prisioneiro! – Ordenou o rei.
Arthur quando viu o prisioneiro ficou petrificado.
- Este prisioneiro, disse o rei, ousou dizer mal de mim e do modo como reino. Já encontrei o castigo perfeito para ele…A morte!
- Mas ele é meu irmão ! – Afirmou Arthur.
- Eu sei, vou deixar que te livres dele rápido! – respondeu sarcasticamente Sargon.
- E verdade?! – Perguntou Arthur ao irmão.
- Sim, mas lamento muito…Disse o pobre Mathew.
Arthur curvou-se sobre o irmão, que se encontrava de joelhos, e disse-lhe baixinho:
- Não te preocupes , vou salvar-te!
O jovem guerreiro desembainhou a espada e cortou as correntes com que estava amarrado o seu irmão e ordenou:
- Foge, Mathew!
- Não, eu não te vou abandonar, vamos lutar juntos! – Disse com toda a bravura Mathew.
- O rei matou o meu pai! – Afirmou Arthur cheio de raiva e de fúria.
O meu pai foi um homem bondoso e corajoso, era uma pessoa que não se intimidava, isto é, não tinha medo de enfrentar o perigo. Da sua hierarquia de valores constavam a justiça, a verdade, a honestidade e a lealdade. Trabalhou para a sua majestade e nunca o desautorizou, aliás, mostrou ser o mais leal dos seus súbditos. No entanto, a honra e a justiça no seu íntimo falaram mais alto, ele não foi capaz de ficar de braços cruzados perante a crueldade que via à sua volta. Ele era a sua mão direita, ou seja, era uma pessoa que desejava que a paz e a justiça dominassem o nosso reino. Contudo, um dia…
- O dia da sua perdição .- Afirmou, ironicamente, Sargon.
- Naquele dia, o meu pai veio falar-lhe sobre a situação de pobreza das proximidades do palácio. A fome predominava nessa região. Ele entrou no palácio e ouviu alguns barulhos estranhos que vinham da cave e ouviu uma voz que dizia:
- Esta noite ,de lua nova, é a noite em que vai ser cumprida a profecia. Vou tornar-me imortal, invencível, nenhum inimigo me vai derrotar!
Estes barulhos despertaram a curiosidade do meu pai, havia uma escuridão que o envolvia à medida que avançava pelo caminho. Acendeu uma tocha para ter uma melhor visibilidade naquele ambiente pesado e assustador, desceu as escadas que conduziam à cave, abriu uma porta, e percorreu o corredor e no fim deste conseguiu ver uma luz avermelhada que cortava os raios escuros do seu caminho. Seguiu a luz. A voz ouvia-se, nesse momento, com mais intensidade. Coragem é que não lhe faltava, estava determinado em descobrir o que se passava. Aproximou-se da porta, que se encontrava semiaberta, e olhou cuidadosamente para dentro, mas sem ser visto Ficou mudo de espanto e petrificado. Naquele local estavam seis homens vestidos com mantos pretos, distribuídos de maneira a formarem um círculo e no centro desse círculo encontrou um rosto familiar.
- É o rei Sargon! – Pensou admirado o meu valente pai.
Ao lado do círculo, havia uma mesa dourada onde se encontravam numerosos frascos com diferentes líquidos suspeitos, o rei segurava na sua mão uma varinha mágica, com que simulava alguns movimentos circulares e verticais. A atmosfera nessa área era sombria e arrepiante, as paredes estavam todas pintadas de preto, havia esqueletos expostos num canto da sala e a luz que iluminava essa sala ligava e desligava em intervalos de segundos. Nesse momento, a luz que predominava nessa sala abafada provinha dos líquidos incandescentes e dos olhos vermelhos, terríveis e maléficos do rei Sargon. Tudo isto criava um cenário de terror. A cerimónia parecia estar no fim, só faltava um ingrediente para a receita estar pronta, isto é, um passo para que o procedimento estivesse completo. O meu pai olhou para o relógio de quartzo, que se encontrava atrás da pessoa que coordenava esse evento, e os seus ponteiros indicavam quase meia-noite. Estava na hora de colocar a cereja no topo do bolo, Sargon disse triunfante:
- Chegou o momento de transformar, governar e moldar a nossa sociedade de acordo com a minha vontade. Chegou a hora de mostrar ao mundo que eu sou o maior feiticeiro e que eu é que dito as regras, ninguém me consegue parar!
E levou à boca o frasco, que parecia cuspir chamas de diversas cores, e com uma rapidez anormal engoliu o seu conteúdo. Era meia-noite, uma hora maldita para o meu pai, ele tentou abrir mais a porta para visualizar ao pormenor os acontecimentos, no entanto, a porta fez muito barulho e chamou a atenção das pessoas que se encontravam na sala, incluindo a do rei. O meu pai, perante o facto de ter sido descoberto, não encontrou outra alternativa a não ser fugir. O feiticeiro como já possuía o poder supremo da imortalidade e outros poderes supernaturais, foi atrás daquele intruso. Num segundo, o meu pobre pai estava encurralado, não tinha como escapar.
Foi trazido à sala, onde decorria a cerimónia, e foi aí que encontrou o seu fim. – Afirmou Arthur muito furioso.
- O teu pai foi um traidor, aliás como todos vocês! – Gritou Sargon.
Como já conheces o meu segredo, ainda que não o saibas na sua totalidade, vais ter a mesma morte que o teu pai! - Afirmou o rei.
A seguir, chamou os seus guardas. Arthur e o seu irmão viram uma grande horda de soldados. Calcularam que havia um desequilíbrio de forças entre eles e o inimigo. Naquele momento crítico, a única ideia que lhes passou pela cabeça foi fugirem. Saíram rapidamente do palácio, montaram o cavalo de Arthur e fugiram daquele monstruoso rei.
O rei Sargon furioso, gritou:
- Isto não acaba assim !
Dirigiu-se ao armazém de armas e entre todas as espadas, as lanças e os arcos, tirou um punhal ao qual lançou um feitiço, com o qual pretendia vingar-se de Arthur, que era agora o seu pior inimigo.
Assim, enquanto Arthur e Mathew estavam a afastar-se do palácio, o punhal enfeitiçado seguia-os à velocidade da luz, nenhuma pessoa , nenhum obstáculo conseguia detê-lo. Aproximou-se cada vez mais dos irmãos e ficou cravado nas costas de Mathew, em vez das do Arthur, como era a intenção inicial.
Arthur sentiu o seu irmão a cair em cima dele. Continuou a sua viagem durante mais algum tempo, até se afastar o suficiente do esconderijo do seu pior inimigo. Parou o cavalo e viu o seu irmão cheio de sangue. Percebeu de imediato que estava por trás deste infeliz acontecimento. Naquele momento, Arthur sentiu uma dor enorme e profunda no peito.
- Primeiro o meu pai e agora o meu irmão. Quando é que este monstro vai parar de fazer tantas vítimas?! – Gritou Arthur cheio de ódio e de fúria.
Sendo assim, o nosso corajoso guerreiro decidiu encontrar uma maneira de enfrentar o rei.
A solução para o seu problema seria uma arma suficientemente poderosa para vencer o assassino do seu pai e do seu irmão. Essa arma chamava-se Excalibur. Excalibur é uma espada que se encontrava presa numa rocha, bem escondida numa floresta encantada. Arthur voltou para casa e a sua mãe, que estava preocupada, ficou muito contente por vê-lo, mas simultaneamente tinha a sensação que o coração lhe ia saltar do peito. Começou a chorar lágrimas de sangue ao saber que tinha perdido o seu filho mais novo. Arthur partilhou os seus planos de vingança com a mãe. Ela ficou muito assustada e preocupada com a ida do seu único filho para uma viagem tão perigosa. Mas, ele tentou acalmá-la e assegurou-lhe que tudo iria correr bem. Confessou-lhe que não ia sozinho, ia com o seu melhor amigo, Charles, a pessoa em que ele mais confiava.
No dia seguinte, Charles e Arthur iniciaram a sua viagem. Seguiram a trajectória pré-estabelecida e, à entrada da floresta encantada, encontraram-se com uma rapariga morena de olhos castanhos e muito bonita.
- Eu conheço o objectivo da tua viagem e quero ajudar-te. Conheço esta floresta como a palma da minha mão – Afirmou a desconhecida.
- Mas por que razão queres ajudar-me? – Perguntou curioso Arthur.
- A bruxa que vive aqui matou os meus pais – Respondeu Alice cheia de raiva.
Os três viajantes entraram na floresta e passado algum tempo, encontraram a Excalibur. Arthur conseguiu tirá-la da rocha, mas ouviu um barulho vindo das árvores de diamante. Tinha chegado a bruxa que habitava nesse local. Arthur, sem nenhuma hesitação, cravou a espada no coração da monstruosa criatura.
Após este episódio, regressaram ao reino do rei Sargon. Estava um dia chuvoso, até parecia que o céu estava a chorar. Todo este ambiente triste previa a luta horrível que se iria travar.
Os três amigos entraram no palácio e encontraram os guardas reais e nesse preciso momento ouviram:
- Deixem-nos passar, eu trato deles! – Ordenou o rei e continuou:
Ainda estás vivo, não seguiste o teu pai às profundezas do inferno?
- Sim, infelizmente para a sua Excelência, estou mais vivo do que nunca e o Senhor vai pagar todas as suas barbaridades, isso lhe posso garantir! – Afirmou o valente Arthur.
O rei agora estava mais forte do que nunca, era imortal; todavia tinha um ponto fraco, o seu calcanhar. Arthur tinha consciência disso, isto é, conhecia o seu segredo. Desembainhou a espada, Excalibur, e dirigiu-se rapidamente a ele, tal como um leão à sua presa, mas quando se aproximou dele a sua mãe entrou e gritou:
- Não, meu filho não faças isso, ele é o teu pai!
Toda gente ficou espantada. Arthur estava a escassos centímetros de cravar a espada no calcanhar de Sargon.
- É por isso que o meu punhal envenenado não te atingiu! – Afirmou admirado o rei.
Tu és o meu filho, o meu herdeiro!
- Mas o meu pai faleceu e por sua causa! – exclamou Arthur confusamente.
- Esse não era o teu pai! Enfim, viveste até agora numa mentira, o rei Sargon é o teu pai, acredita em mim! – Afirmou a mãe do Arthur. Arthur não conseguia acreditar, o seu pai estava vivo e naquele local, antes cheio de inimigos e agora cheio de amigos e familiares. Assim , Arthur recebeu como herança do seu pai, o trono e todo o seu poder. A sua mãe e a família de Charles passaram a viver no castelo e nunca mais voltaram a passar fome. Tinham uma vida muito boa e tranquila. O nosso guerreiro casou com a mulher da sua vida, a Alice. Governaram juntos e viveram felizes para sempre, tendo então assim, o poder do sangue sido mais forte que o poder do ódio.

“ Vingança pelo Irmão” por Sergiu Popescu

Era uma vez uma vez um jovem valente que vivia num país onde havia muita injustiça e onde qualquer pobre era considerado um vagabundo, um escravo. Nesse país, esta classe de gente não podia ter sonhos.
Como poderemos ver mais adiante, o José era uma excepção. Ele era uma pessoa ambiciosa, gostava de viver a sua vida em pleno, mas o que lhe faltava para ser mesmo feliz era uma rapariga que gostasse dele e que fosse uma mulher exemplar.
Um dia, ele e seu irmão passeavam pela floresta, quando o seu irmão foi morto por um dos seus inimigos. Imediatamente, ele decidiu vingar o seu irmão. E, para se vingar, disfarça-se de soldado. Decidiu, então, ir à procura das tropas para se juntar a elas.
Caminhando solitário num caminho encontrou uma velha conhecida, que era uma fada amiga da sua família, ela ajudou-o a encontrar o caminho para o palácio, porque só ali se podia encontrar os batalhões do rei. Passado algum tempo, ele conseguiu ser um dos melhores guerreiros daquele palácio. O inimigo de quem ele se queria vingar também era um soldado daquele batalhão, mas José só soube disso quando o reino foi atacado e a pessoa de quem se queria vingar lhe salvou a vida. Mas, o nosso herói não se apercebeu logo disso e continuava pensar que ele era o seu inimigo. No dia seguinte à batalha, quando José estava a rever as suas atitudes e acções, lembrou-se que alguém lhe tinha salvado a vida, só que como o seu salvador tinha o capacete na cabeça, ele não conseguiu ver por completo a cara dele. No entanto, esse capacete deixava a descoberto os olhos. José tentava lembrar-se de alguém que pudesse conhecer e que tivesse aquele olhar. Mas quanto mais pensava nisso, mais confuso ficava e não conseguia reconhecer a pessoa que tinha aquele olhar.
Estava no meio dos seus pensamentos, quando olhou para o lado e viu alguém que lhe era familiar. Eureka! Descobriu, finalmente, que aquele olhar pertencia ao seu salvador, mas ao mesmo tempo José só tinha esta ideia no seu coração: não podia esquecer o dia em que deu um passeio com o seu irmão pela floresta e este foi assassinado. Simultaneamente, ele não conseguia perceber por que razão o seu inimigo lhe tinha salvado a vida….
”José ainda era muito jovem e não compreendia que a vida tem muitos mistérios. Toda a gente tem que pagar pelos seus erros e, se calhar, o seu irmão tinha cometido muitos erros e isso teria as suas consequências”. Desconhecendo isto, José decidiu não se aproximar muito dele, porque pensava que este tinha uma segunda intenção. Não considerou que o facto de ele o ter salvado fosse um acto de generosidade. O inimigo não sabia que ele era o irmão do sua “vítima”e, portanto, achou estranho que o José não tivesse vindo falar com ele para agradecer o salvamento. Julgou que ele não o tinha reconhecido e decidiu ser ele próprio a dirigir-se a ele. Mas, não estava à espera de que ele fosse o irmão da sua “vítima” . Teve assim uma surpresa! Porque m motivo aparente, José agrediu-o e ele teve que se defender. Apesar de José ser um dos melhores guerreiros do batalhão, não era muito experiente e acabou por perder o combate. O seu inimigo convidou-o, mais uma vez para falarem calmamente. José aceitou essa conversa. O seu inimigo explicou-lhe, o que se passou concretamente entre ele e seu irmão. Ele não aceitou logo à primeira. Mas com o desenrolar da conversa, José aceitou a explicação do que aconteceu há uns dias atrás.
Passado algum tempo, eles conseguiram ser os melhores guerreiros do batalhão. Durante uma batalha, José ouviu os gritos de uma donzela que se encontrava em perigo. Como bom guerreiro que ele era, decidiu salva-la. A donzela ficou encantada com a atitude de José. Ficaram, a partir desse dia, amigos. Ela achava-o cavaleiro e honesto e ele sentia uma grande paixão por ela. Assim sendo, José decidiu pedi-la em casamento. Ela aceitou o seu pedido. Finalmente, José encontrou a sua cara-metade, casaram-se e viveram felizes para sempre.

“ O Malvado Baratinha” por Mihai Petrovici

Era uma vez um rei que tinha dois filhos. Como esse rei já tinha alguma idade estava à espera que a morte lhe batesse à porta. No entanto, enquanto o momento da partida não chegava, tinha um problema para resolver: quem iria suceder-lhe?
Pois não tinha confiança nos seus dois filhos, não sabia qual seria o melhor líder e qual deles iria respeitar a sua memória e dar a vida pelo reino.
Num dia de Verão, o rei decidiu atribuir ao filho mais novo uma tarefa. Para tal, chamou-o aos seus aposentos.
- Filho, tenho uma tarefa para ti. Se quiseres um dia reinar, tens de cumpri-la. - Afirmou o rei.
- Mas pai, eu não posso ser rei porque sou o filho mais novo!
-Olha filho, ao longo dos anos, eu observei o teu irmão mais velho e conclui que o seu único objectivo é enriquecer ainda mais e escravizar os meus súbditos. Mas tu, filho, tu és diferente pois amas tudo o que este reino tem, não pretendes apenas os seus tesouros.
- Está bem pai, mas que tenho eu que fazer para te mostrar que mereço ser rei? - Perguntou ansioso o filho mais novo.
- João, para mostrares que dás a tua vida para este reino, vou atribuir-te uma tarefa difícil. Tens de encontrar o dragão Baraticida e depois mata-lo. Mas há uma dificuldade, ninguém do nosso reino sabe onde se encontra esse dragão. Tens de andar pelas aldeias onde ele foi visto para te darem informações sobre a sua localização.
- Está bem pai, amanhã vou…
Enquanto a conversa entre o rei e o seu filho mais novo estava a decorrer, o filho mais velho, Miguel, escondido nos corredores secretos do palácio, tinha ouvido tudo e decidiu fazer todos os possíveis e impossíveis para evitar que o seu irmão cumprisse a tarefa.
No dia seguinte, João, o filho mais novo, como era um cavalheiro, vestiu a sua armadura, tirou a sua espada e o seu escudo e foi para junto do seu pai. Quando chegou aos aposentos do seu pai, estava lá o seu irmão Miguel:
-Pai, já estou preparado. Agora, queria que me desse um cavalo para eu poder cumprir a minha tarefa - disse o João.
-Vais para onde, querido irmão? Perguntou Miguel com um tom sarcástico.
-Olha filho, ele quer ir encontrar o verdadeiro amor.
- João, podes ir ao estábulo e escolher um cavalo par ti.Boa sorte na tua viagem! Respondeu, deste modo, o rei ao filho.
João partiu e começou a caminhar pelas terras onde tinha sido visto o dragão e, assim, chegou a uma terra chamada Fundila. Como estava com fome, foi à primeira casa que lhe pareceu mais hospitaleira, para pedir um pouco de comida e perguntar se sabiam onde se podia encontrar o dragão Baratinha. Bateu à porta. Surgiu uma mulher de altura média com cabelo cor de ouro, olhos azuis, rosto redondo e pele branca. Imediatamente, João ficou apaixonado por ela. Ajoelhou-se, beijou-lhe a mão delicada e disse:
-Olá, linda menina, desculpa por ter batido à tua porta mas estou no fim das minhas forças, pois não como há vários dias. Queria saber se me podias dar um pedaço de pão para me revitalizar?
- Claro que sim, mas primeiro gostaria de saber qual é o teu nome? Perguntou a bela moça.
- O meu nome é João, e o teu?
- O meu nome é Aura! Agora podes entrar.
João entrou e sentou-se numa cadeira junto à mesa. Aura trouxe-lhe um prato com comida e disse-lhe que se quisesse mantimentos para a sua viagem também lhos podia facultar. João comeu tudo, saboreando cada pedaço de comida como se nunca tivesse comido algo tão delicioso.
Enquanto estava a comer, ele perguntou-lhe se sabia alguma coisa sobre o dragão e ela respondeu:
- Mas tu, um moço tão valente e belo queres arriscar a tua vida para mostrares ao teu pai que és corajoso?
- Eu como sou o filho mais novo e o meu pai deu-me esta oportunidade quero aproveita-la.
- Tu é que sabes o que queres. O meu pai acompanhado por cinco guerreiros, também foi à procura do dragão, que segundo se sabe vive aqui na floresta, a oeste da nossa aldeia. Esse dragão já matou muitas pessoas que iam para a floresta procurar alimentos e madeira. Talvez se partires imediatamentepara a floresta, consigas encontrar o meu pai e os guerreiros. Poderias ajudá-los a matar o dragão.
-Está bem, Aura! Quando eu voltar, queria convidar-te para ires à minha terra. Pois, aí, todos os tesouros estarão a teus pés. Disse João, saindo logo de imediato.
Entrou na floresta e, depois de percorrer a passo rápido uns dois quilómetros, encontrou o pai de Aura, Rafael.
- Quem és tu, estrangeiro? Perguntou Rafael.
- O meu nome é João e sou filho do rei Daniel, que reina sobre o território de Alcunha.
- E que estás a fazer aqui?
- A sua filha Aura mandou-me aqui para vos ajudar a matar o dragão, visto que o meu pai pediu-me também o mesmo, uma vez que o dragão assassinou vários guerreiros nossos. Tenho de levar a sua cabeça para mostrá-la ao meu pai e, assim, posso tornar-me rei.
- Está bem, podes vir lutar connosco. Deixo-te matá-lo e podes ficar com a sua cabeça.
Quando chegaram ao meio da floresta, encontraram o dragão que estava a dormir. Ao tentarem aproximar-se, acordaram-no e ele começou a deitar fogo. Matou os cinco guerreiros e aproximou-se de Rafael, preparando-se para o matar também. Imediatamente, João saltou de cima de uma rocha e cortou-lhe a cabeça, salvando a vida do Rafael.
Como o Rafael ficou ferido, e não podendo assim caminhar, João decidiu levá-lo às costas. Isto implicava muito esforço, pois para além de carregar Rafael também carregava, num saco, a cabeça do dragão.
Já próximos da casa de Rafael, Miguel (o irmão de João), sem que ninguém se apercebesse, tentou atingir o seu irmão com uma seta. Mas felizmente, Rafael, embora fraco, conseguiu proteger João, pondo a sua vida em perigo. Este voltou-se e vendo que era o seu irmão Miguel desembainhou a sua espada e cravou-a no peito do seu irmão.
Rafael, que estava moribundo, disse:
-João, agora que eu estou quase a morrer, por favor, cuida da minha filha e ama-a como se fosse a única mulher do mundo!
-Sim, Rafael, prometo-te que vou cuidá-la e amá-la para sempre.
Depois de ouvir essas palavras, Rafael morreu em paz, porque sabia que alguém ia cuidar da sua filha.
João levou Aura para o seu reino. Quando chegou a sua casa foi muito bem recebido, casou-se com Aura e tornou-se o rei da terra Alcunha. Assim, viveram felizes até morrerem.

“Nas Asas do Destino” por Iromisa Pereira

Fortelândia, século XVI. Nesta época, algumas pessoas eram vistas como bruxas e feiticeiros. Era uma época de conflitos, de pobreza e aqueles que eram considerados bruxas e feiticeiros não eram aceites. Foi nessa altura que, uma mulher deu à luz uma menina, a quem deu nome de Samira. Infelizmente, a mulher não resistiu ao parto e acabou por morrer, depois de dar à luz. Assim sendo, Samira foi criada pela sua avó.
Passados quinze anos, Samira, apesar de ser pobre, era muito bonita e vestia-se muito bem. Mas, escondia um segredo e estaria perdida se ele fosse revelado, por isso Samira sempre tentou mantê-lo em segredo.
O que mais intrigava Samira era o facto de ela não saber quem era o seu pai. Quando ela perguntava à sua avó onde o pai vivia, ou se o pai estava vivo ou morto, a única resposta que a sua avó lhe dava é que era melhor certas coisas serem mantidas em segredo do que serem reveladas. Quando a avó dizia isso, Samira ficava muito triste porque o que ela mais desejava, neste mundo, era conhecer o pai ou obter alguma informação sobre ele. A única coisa que ela sabia era que o pai se chamava Frederico Pascal.
Assim, decidida a saber mais sobre o pai, numa noite de lua cheia, Samira decidiu deixar a avó para ir à procura do pai. Pôs alguns mantimentos na sacola e um pouco de água na garrafa, decidida, apanhou o cavalo e começou a ir em direcção à floresta, afastando-se cada vez mais da aldeia.
Samira encontrava-se na floresta sem saber para onde se dirigir ou como descobrir o paradeiro de seu pai. Como já era de noite, ela decidiu dormir um pouco, porque o dia seguinte seria muito longo. Mas, o seu descanso foi perturbado pelo ruído dum animal selvagem. Assustada, ela acordou e começou a arrumar as suas coisas. De repente, ela viu um grande tigre, como não tinha tempo de ir buscar o cavalo, correu o mais depressa possível, mas o tigre seguia-a e ela escondeu-se numa gruta sem saída. Quando o tigre se preparava o para ataque, ela ouviu uma voz que disse:
-Baixa-te – assim fez ela e quando abriu os olhos viu o tigre com um punhal cravado no meio da testa e um jovem que começou a andar na sua direcção. O jovem perguntou-lhe:
-Estás bem?
-Sim! – Respondeu ela ainda um pouco assustada.
-Mas o que é que uma menininha como tu anda a fazer a esta hora na floresta? – Perguntou o jovem.
-Não é da tua conta! – Respondeu Samira bruscamente.
-Bem, eu só estava a tentar ajudar-te, mas se queres ficar aí tudo bem. Eu vou-me embora! -Respondeu o jovem.
-Está bem, mas antes podias dizer-me se há alguma vila por aqui? – Perguntou Samira.
-Há uma vila perto daqui, aliás, é onde eu moro. Se me queres acompanhar, estás convidada. - Disse o jovem.
Samira muito aflita respondeu:
-Então, eu vou contigo, pois não me apetece ficar nem mais um segundo nesta floresta. Já agora chamo-me Samira e tu?
Chamo -me Elisandro, prazer em conhecer-te. – Respondeu o rapaz.
-O prazer é todo meu e obrigado por me socorreres.Desculpa por ter falado contigo daquela maneira!
-Não foi nada! – Respondeu o jovem timidamente.
Assim, partiram juntos fazendo todo o percurso, para a aldeia, em silêncio. Quando chegaram, Samira ficou impressionada com a beleza do local, pois naquela época de guerra era difícil encontrar um lugar assim. Samira ficou muito tempo a sentir a brisa do vento até que Elisandro a chamou.
-Samira não queres entrar? Aqui fora está muito frio.
-Sim. E tu vives sozinho? – Perguntou um pouco preocupada.
-Sim, mas não te preocupes, porque não vou fazer-te mal.
Receosa Samira entrou. A casa era simples e organizada, apesar de Elisandro ser rapaz.
-É melhor ires descansar. – Aconselhou Elisandro.
-Sim, mas onde vou ficar? – Perguntou Samira
-Podes ficar com aquele quarto, ali à tua direita.
Samira entrou no quarto, deitou-se em cima da cama e acabou por adormecer.
O sol começou a nascer iluminando o quarto onde Samira se encontrava e a claridade penetrou nos seus olhos. Samira acabou por acordar e ficou admirada por ter dormido tanto. Apressada, vestiu-se, saiu do quarto e foi ter com Elisandro.
-Bom dia! – Disse Samira.
-Bom dia, dormiste bem? - Perguntou Elisandro.
-Sim, mas agora tenho de ir.
-Mas para onde tu vais?
(Samira tentava encontrar uma desculpa para dar a Elisandro; no entanto, quando viu que ele a olhava nos dos olhos não teve coragem de lhe mentir e optou por lhe dizer a verdade)
-Vou à procura do meu pai. – Disse Samira tristemente.
-Oh! Mas, o teu pai perdeu-se? Perguntou Elisandro.
-Não, eu não o conheço – disse Samira triste.
-Deve ser muito triste não o conhecer!
-Pois é, mas o que interessa agora é que vou fazer de tudo para o encontrar. – Afirmou convicta Samira.
-Mas, tens alguma pista por onde começar?
-Para ser sincera não, a única coisa que sei é que o meu pai se chama Frederico Pascal.
-Esse nome é muito estranho, mas já o ouvi em algum lado.
-Tenta ver se te lembras. - Disse Samira esperançosa.
-Já me lembro! Algumas vezes, a minha mãe contava-me histórias sobre feiticeiros. E, numa dessas histórias, a minha mãe falou de um Frederico Pascal que era um dos mais poderosos feiticeiros.
Ao ouvir a palavra feiticeiro, Samira arregalou os olhos. Muito interessada, quis saber o fim da história.
-Mas sabes o que lhe aconteceu? – Perguntou Samira.
-Bem, segundo que a minha mãe me contou, ele era um feiticeiro do bem e para proteger os outros companheiros dos feiticeiros do mal, usou o seu poder para retirar os poderes dos feiticeiros do mal e selou-os. E, para ter a certeza que ele e os seus companheiros ficariam a salvo, utilizou o resto das suas forças e construiu uma barreira em volta da ilha. Depois, afundando-a no fundo do mar, porque só assim ele tinha a certeza que seria o melhor. – Contou Elisandro.
-E o que aconteceu a seguir? – Perguntou Samira
-Não sei, além disso é uma história! – Afirmou Elisandro.
-Mas, sabes alguma coisa sobre essa ilha? – Perguntou cheia de curiosidade Samira.
-Bem, ouvi dizer aqui na aldeia que essa ilha deixa de estar nas profundezas do mar uma vez em cada cem anos.
-Alguém a viu alguma vez? – Perguntou muito aflita Samira.
-Pelo que sei não. Alias, como já disse há pouco é só uma história que todas as crianças daqui da vila conhecem.
-De qualquer forma obrigada por aquilo que me contaste. - Agradeceu Samira
-Então, o que vais fazer?
-Bem, eu vou- me embora! Tenho que continuar à procura do meu pai. – Afirmou convicta Samira.
-É uma pena não poder ajudar-te mais. - Lamentou-se Elisandro.
-Tu já me ajudaste bastante. Mas, agora tenho mesmo de ir.
E assim, ambos se despediram:
-Bem, então, até qualquer dia. - Disse Samira.
-Sim, um dia ainda haveremos de nos voltar a encontrar. – Afirmou convictamente Elisandro.
-Então, isto é um até breve! – Respondeu, com um sorriso rasgado, Samira.
-Talvez! – Disse Elisandro.
Deste modo, Samira partiu com a mente ocupada, pensando na história que Elisandro lhe tinha contado. Pois ela tinha a certeza que não era só uma história, porque ela sabia que os feiticeiros existiam, já que ela era a prova viva disso. Continuou a andar sem saber para onde ir. De repente, apercebeu-se que se encontrava no meio duma praia.
Foi quando subitamente sentiu a terra a tremer e passados alguns segundos o tremor de terra parou. Samira começou a olhar para todos os lados. Subitamente, viu uma ilha que anteriormente não estava visível. Cheia de curiosidade, nadou até à ilha misteriosa. Estranhou muito o facto da ilha ser maior do que parecia vista de longe. Pareceu-lhe ser uma ilha agora deserta, pois as casas e as árvores da floresta estavam destruídas, há muito tempo. Estava ela a admirar a ilha, quando viu um raio de energia que seguia uma criança que vinha na sua direcção. Correu para junto da criança, mas acabou por ser atingida pelo raio de energia.
Felizmente, o choque não foi muito grande, não se magoou e acabou por conseguir ajudar a criança. Passados uns minutos ouviu um riso maléfico vindo de cima, e assim que a criança ouviu esse riso agarrou-se a Samira e começou a chorar. Samira cheia de coragem olhou para o céu e viu um homem que não tinha um rosto amigável.
-Pensaste que podias fugir de mim. – Afirmou apontando para a criança e descendo ao mesmo tempo.
-Mas, quem és tu? - Perguntou Samira.
-Eu sou aquele que um dia vai governar o mundo e que será o mais poderoso feiticeiro. Podes chamar-me Edmundo. – Disse ele.
-Por que razão andas a perseguir esta pobre criança? – Perguntou Samira.
-É a última hipótese para poder libertar os meus colegas que estão presos, há muito tempo. – Afirmou o homem.
-Como assim a última hipótese? – Perguntou Samira intrigada.
-Preciso da última alma, pura e inocente, desta ilha. Pois ela é a única sobrevivente? já que sacrifiquei os outros! – Disse Edmundo orgulhoso.
-Isso não irá acontecer! – Disse Samira corajosamente.
-O que pensas que podes fazer perante um feiticeiro como eu? – Perguntou Edmundo divertindo-se com a situaçao.
-O que for preciso! Já agora devo dizer-te que eu também sou uma feiticeira, tal com tu! – Afirmou Samira triunfante.
-Isso é impossível, pois eu transformei todas as pessoas da ilha em pirilampos, até o próprio rei! - Disse Edmundo.
-Pelos vistos enganaste-te, visto que ainda resto eu e tenho a certeza que te vou vencer. - Disse Samira convicta.
-Eu não vou perder, pois tu és apenas uma menina. - Disse ele cheio de raiva.
Assim, se prepararam para a luta. Edmundo era muito mais hábil a usar os seus poderes do que Samira, por isso ela estava em desvantagem em relação ao feiticeiro. Embora, Samira estivesse a defender muitos golpes de Edmundo, o último acabou por fazê-la desmaiar.
-Chegou o teu fim! – Afirmou Edmundo preparando-se para o golpe final.
Contudo, quando ele se preparava para tal ouviu alguém dizer:
-Onda explosiva!
Edmundo virou-se para ver quem era, mas foi surpreendido por uma onda de energia que o fez afastar-se de Samira.
Samira começou a recuperar a consciência e quando viu quem a estava a tentar ajudar perguntou:
-Elisandro, o que fazes aqui? Como me encontraste?
-Bem, eu vim à tua procura! Quanto à forma como te encontrei posso dizer-te que eu apenas me deixei levar pelo meu coração! - Respondeu Elisandro.
-É melhor ires-te embora, porque é perigoso estares aqui. - Disse Samira aflita.
-Mas, eu vim para te ajudar e não adianta tentares esconder os teus poderes, porque eu sei quem tu és. – Afirmou Elisandro.
-Como sabes, se eu nunca cheguei a contar-te o meu segredo? - Perguntou Samira intrigada.
-Porque, quando eu te contei a história da ilha, tu demonstraste muita curiosidade. Já reparaste que esta é a tal ilha de que eu te falei. - Afirmou Elisandro.
Porém, não tiveram mais tempo para falar, porque Edmundo já estava de pé para lutar novamente.
-Oh! Vejo que arranjaste um amiguinho para te ajudar. - Disse Edmundo cinicamente.
-Isso agora não interessa, vamos pôr fim à luta. – Disse Elisandro.
- Elisandro, como pretendes lutar? - Perguntou Samira.
-Com a minha espada! – Dizendo isto desembainhou a espada e como por magia esta triplicou de tamanho.
-Não sei se sabe, mas esta espada é muito poderosa e foi uma herança do meu pai. – Afirmou Elisandro emocionado.
-Então, vamos a isso! – Disse Samira.
Assim, começaram novamente a luta, apesar de estarem em vantagem numérica, Edmundo continuava a ser o mais forte.
Entretanto a criança que até agora chorava e tremia de medo viu um pirilampo e exclamou:
-Mãe! Mãe! - Uma voz que apenas a criança ouvia disse-lhe repetidamente:
-Segue-me, segue-me – Assim foi, a criança seguiu a voz até encontrar outros pirilampos que se encontravam junto de um arco com flechas. A criança aproximou-se do arco e das flechas e apanhou-os agradecendo a todos os pirilampos. Desta maneira, correndo, foi para junto de Samira.
Enquanto isto acontecia Samira e Elisandro continuavam a lutar, contudo já estavam cansados. A criança chamou Samira e entregou-lhe o arco e as flechas. Samira, intrigada, questionou com o olhar a criança, mas esta apenas lhe retribuiu um sorriso.
Samira pegou no arco e nas flechas e Elisandro empunhou a sua espada, ambos se puseram em posição de ataque. Samira soltou uma flecha, que tinha uma energia muito poderosa, e também Elisandro lançou a sua onda explosiva. Tudo isto aconteceu tão de repente que Edmundo nem teve tempo para se defender, acabando todos estes feitiços por atingi-lo no peito transformando-o em pó.
Deste modo, todos os feitiços, que já o falecido Edmundo tinha lançado, desapareceram. Todos os pirilampos estavam admirados por voltarem à sua forma humana. Houve uma grande algazarra, pois todos estavam muito felizes. Agradeceram a Samira e a Elisandro, os seus salvadores.
Enquanto festejavam viram um homem aproximar-se deles. Este homem disse:
-Obrigado, a criança já me contou tudo!
-Não foi nada! – Disseram ambos.
-Digam-me o que posso fazer para vos recompensar? - Perguntou o homem
-Não precisa de nos agradecer! - Disse Samira com um enorme sorriso estampando no rosto.
O senhor gostou muito do sorriso da Samira, principalmente, porque o fazia lembrar-se de alguém.
-Sabes, o teu sorriso faz-me lembrar a minha amada Isabel!
-Como é que o senhor se chama? – Perguntou Samira curiosa.
-Frederico Pascal - Disse ele.
Samira começou a chorar de felicidade e foi abraçar Frederico.
Frederico não percebeu por que razão Samira o abraçara, mas correspondeu ao abraço.
-Pai, nem acredito que te encontrei! - Disse Samira feliz.
Frederico ficou surpreendido ao ouvir Samira chamar-lhe pai e foi nesse instante que se lembrou que a sua amada Isabel lhe tinha dito que estava grávida, mas nunca pensou que fosse verdade. Frederico abraçou a filha com todo o seu amor e não contenve as lágrimas. Elisandro ficou feliz por Samira ter encontrado o pai.
No dia seguinte, assim que o sol nasceu, a ilha voltou a afundar-se no mar e o pai de Samira decidiu deixar definitivamente a ilha e ir embora com a filha para recuperar o tempo perdido.
Assim sendo, voltaram para casa da avó de Samira e quando a avó viu que a neta estava bem e que tinha encontrado o pai ficou muito feliz. Para celebrar esse dia tão especial, a avó de Samira decidiu fazer um jantar especial.
Depois do jantar, Samira e o pai ficaram a contemplar as estrelas até que o pai decidiu quebrar o silêncio.
-É uma pena a tua mãe não estar aqui! - Exclamou Frederico tristemente.
-Mas certamente ela esta feliz por estarmos aqui - Disse Samira.
Depois desse dia nada foi igual, tudo brilhou para Samira. Isto é uma prova que se acreditarmos e tivermos fé nos nossos sonhos, um dia eles se realizar-se-ão.

“Embriagado de Amor” por Jun Chen

A quinta Yang é um formoso espaço vinícola, que pertence a duas grandes famílias: a família Miang e a família Yang. Mas, cada uma destas famílias tem diferentes maneiras de fermentar o vinho. Esse facto mantém-se em segredo no seio da família, geração após geração. O segredo só pode ser herdado por uma mulher, por isso, o chefe de cada família é uma mulher, em vez de ser um homem como acontece tradicionalmente.
As duas herdeiras, de cada uma das famílias acima referidas, são amigas desde pequenas e ambas sentem o peso de virem a ser as próximas chefes a darem a conhecer o vinho típico da sua quinta ao mundo. No entanto, as duas herdeiras odeiam vinho e ambas têm um grande desejo: casar com um homem que também não goste de vinho e conseguirem, assim, afastarem-se definitivamente do mundo do vinho. Este ano, elas são obrigadas pelas suas avós a casar e, por isso, elas estão muitas preocupadas em arranjar um marido.
Honzhi Miang, uma das herdeiras, é uma rapariga de dezasseis anos. É simpática e bonita, adora mexericos, consegue falar um dia inteiro com quem for, seja animal ou seja uma pessoa. Quando era pequena, quase se afogou com o cheiro do vinho (álcool), por isso odeia vinho, mas tem um talento para diferenciar os vinhos através do cheiro.
Liangao Yang, outra das herdeiras, é uma rapariga de dezasseis anos, que gosta muito de fingir-se de inocente para atingir os seus objectivos. Quando era pequena, caiu dentro de um pote de vinho, por isso detesta o vinho. Mas, tem um talento para diferenciar os vinhos através do sabor.
Num lindo dia, à porta da Casa de Chá, estava uma multidão a falar de vários assuntos, que segundo Honzhi eram muito interessantes. Assuntos como: quem casou com quem, um rico comprou uma concubina, entre outros. Como ela era muita coscuvilheira juntou-se, imediatamente, à conversa. Entretanto, chegou uma carrinha. Então toda gente começou a tentar adivinhar quem estaria lá dentro. Um moço, tentando conquistar Honzhi, disse-lhe que a pessoa que estava dentro da carrinha não seria, certamente, mais bonita do que ela (isto se a pessoa fosse uma mulher!). Foi assim que começou a aposta, toda a gente apostava que Honzhi era a mais bonita. Honzhi, como não era convencida, apostou que a pessoa que se encontrava na carrinha era mais bonita do que ela. Desta forma, ela foi a única a apostar na pessoa da carrinha. Chegado o momento da verdade, todas as pessoas ficaram admiradas com a beleza da mulher que saiu da carrinha.
“- Ela é muita bonita, não é?”- Perguntou Honzhi à multidão e todos concordaram. Honzhi, que ganhou a aposta, toda contente começou a pôr dinheiro no seu bolsinho. A multidão ficou muito triste.
Honzhi, no entanto, afirmou:
“-Ai…Quem me mandou ser mais feia do que ela! Desperdicei a vossa confiança. Desculpem imenso!”. Ela começou a ficar muito triste (no entanto, essa tristeza não era verdadeira, pois, interiormente, Honzhi estava a rir-se). Como a multidão se apercebeu que ela estava a culpar-se, todos disseram que não fazia mal. Honzhi começou a sair do local discretamente.
Depois de sair do local, Honzhi entrou na Casa de Chá. Arranjou um lugar perfeito para poder observar toda a Casa de Chá, mas não se apercebeu que havia um lugar ocupado por um homem, Shu. Só se apercebeu disso, quando um caroço acertou nele.
Shu, que até achou graça à situação, perguntou à Honzhi:
“- Desculpa, achas que eu sou um caixote do lixo?”
Honzhi ficou logo apaixonada por ele, porque ele era um homem muito bonito e viu que ele bebia chá em vez de vinho, o que não era habitual, pois os homens naquele lugar bebem vinho.
“- Quero casar contigo!”- Afirmou Honzhi. Shu, que via a mulher da carrinha vir na sua direcção, disse-lhe, um pouco sem pensar, que casaria com ela. Honzhi ficou muito contente, pois nunca tinha pensado que seria tão fácil arranjar um marido e ficou de boca aberta. Shu achou-a muita engraçada e colocou-se logo ao seu lado para ser visto pela mulher da carrinha.
“- Shu!”- exclamou a mulher da carrinha, que ficou espantada com a atitude dele, porque como ele era um cavalheiro, nunca lhe tinha passado pela cabeça que pousaria a mão na cintura de uma moça.
Shu afirmou:
“- Estou muito espantado, como é possível encontrarmo-nos no meio de uma multidão desta! Sente-se aqui, senhora Xiaoxiao!” No entanto, ele sabia muito bem que a senhora Xiaoxiao andava a persegui-lo.
Xiaoxiao respondeu:
“- Mas eu ando atrás de si, ainda me lembro de no mês passado...Nós os dois escrevemos poemas em conjunto e…” Enquanto dizia isto, Xiaoxiao, com ajuda da sua escrava, sentou-se na cadeira.
“- Senhora Xiaoxiao, eu já lhe disse que nós somos apenas amigos. Você tem tantos apaixonados, deve ir à procura da sua própria felicidade!”- Aconselhou Shu carinhosamente.
Xiaoxiao começou a verter as lágrimas.
“- Uau! Como consegue chorar tão facilmente? Ensine-me, por favor! Assim, da próxima vez que a minha avó se zangar comigo, ela terá pena de mim e deixará logo de se zangar comigo!” interrompeu Honzhi alegremente.
Xiaoxiao ficou muito chateada, mas fingiu que não, perguntando delicadamente a Shu:
“- Shu, quem é esta senhora?”
“- Eu sou Honzhi Ming!”- Respondeu Honzhi alegremente.
“-A senhora Ming, é...?” - Perguntou Xiaoxiao.
“-Minha noiva! “- Respondeu apressada Shu
As duas mulheres ficaram espantadas. Honzhi ficou muito contente, porque Shu afirmou que eles os dois estavam noivos. Xiaoxiao ficou muita irritada, não queria acreditar que um homem escolhesse uma mulher menos bonita do que ela. Além disso, não queria desistir do Shu. Ao reparar na atitude de Shu, ela ficou muita chateada e fingiu ser simpática, dizendo à Honzhi:
“- Menina Ming, tens onze ou doze anos?! Pareces tão pequena, já sabes beijar uma pessoa….? Ah! Desculpa, não devo dizer-te isso, ainda és tão pequena.”
Shu, ficou irritado com Xiaoxiao que estava a dizer disparates. Ele ia defender Honzhi, mas esta disse:
“- Querido, o que é que a senhora Xiaoxiao está a dizer? Eu acho que não percebi! Será que há uma grande diferença entre mim e ela?”
“-Não diga isso, querida Honzhi! A senhora Xiaoxiao apenas é dois ou três ou quatro ou cinco anos mais velha que tu. Tu podes magoá-la! “- Respondeu Shu parecendo estar apoio à Xiaoxiao mas, na verdade, estava ao lado de Honzhi.
Xiaoxiao ficou pálida e calou-se.
Entretanto, Honzhi e Shu continuaram a tomar o seu chá.
“-Querido, posso comer um poucadinho de pão? Sai hoje de manhã muito cedo, não tive tempo de tomar o pequeno-almoço. “– Disse Honzhi ao Shu.
“- O quê?! Não tomaste o pequeno-almoço e tiveste à conversa este tempo todo! O que fazes tu se ficares doente?” Nem esperou que Honzhi respondesse, Shu pediu logo muitos pratos deliciosos ao empregado da mesa.
“- São todos para mim? Estava a pensar comer só um poucadinho de pão! Estou tão contente, que nem podes imaginar! “– Honzhi, ficou espantada com toda aquela comida. Ela queria comer pouco, para que o seu futuro marido não pensasse que é uma grande comilona e que ia ter possibilidade de “comer” toda a fortuna do seu marido.
Educadamente, Shu perguntou à Xiaoxiao se queria comer com eles.
“-Não, obrigada! Vou para casa, espero que me convidem para vossa festa de casamento! Desejo que sejam felizes para sempre!” - Xiaoxiao respondeu a Shu, desistindo de lutar pelo amor dele, porque reparou que Shu ama Honzhi e ela não quer ser inconveniente. A melhor maneira de amar Shu é deixá-lo ser feliz: desejando que ele tenha uma família feliz, apesar de Honzhi não ter tanto amor por ele como ela. Com ajuda da sua escrava, pouco a pouco, foi-se embora.
Honzhi continuou a falar com Shu.
“-A Xiaoxiao deve estar mesmo muito triste. Apesar dela no início ter-se mostrado muito arrogante, afinal é muita simpática, não achas?”
“- A senhora Xiaoxiao não é má, apenas pretendia atingir o seu objectivo! Ela é uma boa rapariga!” – Respondeu Shu, ao mesmo tempo que pôs um pão de arroz na boca da Honzhi.
Honzhi, cuidadosamente, perguntou a Shu:
“-Gostas de mim? Vais mesmo a casar comigo?”- Honzhi estava a duvidar da promessa do Shu.
“-O amor que eu sinto por ti é para mim uma certeza absoluta! Apesar de nós nos conhecermos há pouco tempo, eu fiquei logo apaixonada por ti. Foi o amor à primeira vista!” – Respondeu Shu carinhosamente.
“- Então podemos casar dentro de uma semana?” – Perguntou Honzhi, com pressa de sair da vida do vinho.
“- Adorava que tu fosses logo a minha mulher, para ninguém poder roubar-te! Quero ir a tua casa para pedir a permissão da tua família!” – Prometeu Shu a Honzhi.
Então, Honzhi deu a morada da sua quinta a Shu e ela disse-lhe que ficaria à espera dele.
De manhã cedo, ouve-se música. É a chegada de Shu, para pedir Honzhi em casamento . Toda a família da Ming saiu de casa e reuniu-se à porta da quinta. Quando a avó da Honzhi soube que Shu queria casar com a sua neta, propôs-lhe dois desafios, com o objectivo de avaliar se ele conseguia ou não ser o marido ideal da futura herdeira de Quinta Ming.
“-Tens de distinguir estas duas pipas de vinho, dizendo o nome de cada vinho e, ao mesmo tempo, dizer quais são as suas características!” – Assim, propôs dois desafios ao Shu e, imediatamente, mandou trazer duas pipas de vinho.
Honzhi ficou preocupada, porque imaginava que Shu desconhecia a arte de beber vinho.
No entretanto, Shu afirmou, provando a primeira pipa:
“-Vinho da Filha! É forte e doce! Quando nasce uma filha, enterram este vinho na quinta. Só é servido, na hora do casamento da filha.” – Honzhi ficou espantada e preocupada: se ele sabe beber vinho, então ela não conseguirá livrar-se da vida do vinho!
Shu continuou a prova, degustando a segunda pipa.
“-Vinho Extremado! Quando entra na boca, sente-se uma frescura, mas quando se engole fica uma sensação de ardor. É um vinho que tem duas sensações diferentes. Que leva ao extremo! É, portanto, um vinho muito difícil de fermentar!” – Shu estava admirado com a capacidade da quinta Ming conseguir produzir este vinho. Honzhi ainda ponderou se casava ou não com Shu. Mas desistiu de pensar nisso, porque ela amava verdadeiramente Shu. Já não importava, se ia conseguir deixar a vida do vinho. Assim, ela decidiu ficar à beira do Shu, apoiando-o sempre.
“- Estás aprovado! Podes casar com a minha neta!” – Disse a avó da Honzhi, que estava muita satisfeita com Shu, porque no final da prova, este não ficou embriagado.
“- Que bom! “ – Toda a gente ficou muito contente.
E assim, começou o casamento.
Na hora do casamento, todos andavam à procura do noivo e da noiva, e ninguém os encontrou, só encontraram um bilhete na mesa.
Esse bilhete dizia o seguinte: " Desculpem a nossa ausência... nós antecipamos a lua de mel! Voltamos quando tivermos a nossa filha para herdar a quinta!" (Honzhi e Shu)