quarta-feira, 14 de abril de 2010

A BE e a colaboração no 100 Comentários

Será possível que a Coordenadora da BE nos consiga, mais uma vez, surpreender com o seu famoso artigo?

Utopia Misantrópica


Seremos nós incapazes de imaginar um mundo perfeito e, consequentemente, uma existência humana perfeita?
A impossibilidade de estabelecer uma verdade absoluta no domínio do humano leva-nos a imaginar a perfeição apenas por contraste com os nossos tormentos maniqueístas e, como tal, nunca foi nem será possível imaginar um mundo perfeito sem o peso da tradição filosófica, histórica e cultural.
Como a serpente que morde a sua própria cauda num ciclo vicioso, os cidadãos da polis não são resilientes à coersividade irresistível da política sinónima, nos tempos actuais, de mentira e ilusão deliberada e organizada.
As utopias contrastam com a prevalência, mesmo em termos literários, das distopias que realçam a nossa existência infernal face à incapacidade inexorável de concebermos oniricamente uma verdadeira ideologia política, seja ela o estatismo ou o liberalismo.
Charles Dickens, H.G.Wells, Aldous Huxley, Voltaire, Hannah Arendt são apenas alguns exemplos profetizadores das consequências nefastas das várias mistificações políticas da nossa história recente.
Tertuliano terá dito “uma das principais alegrias do Céu é assistir às torturas dos danados”, a nossa consistirá não só em assumirmos que gostamos de ser ludibriados, mas também em assumirmos, de forma soberba e arrogante, que gostamos diabolicamente de ser despojados desse ludibriante.
Só isto justificará a nossa incapacidade de imaginarmos “ o paraíso na terra, a justiça universal, a felicidade cósmica”.
Será este o meu Cavalo de Tróia? Não, caso contrário entraria em contradição! Tratar-se-ia de objectivar mais uma impostura intelectual.

2 comentários:

António Gonçalves disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
António Gonçalves disse...

A inexorável profundidade das palavras da coordenadora da biblioteca sob cujo peso se esmagam as nossas mais ingénuas e inquietantes esperanças fazem-me reviver angústias recalcadas, complexos edipianos inultrapassados, fixações inimagináveis. Paixão, Dor, Sofrimento, Angústia, Desespero tomam o lugar das pulsasões que deviam animar meu coração. Resiliência? Não, não, não. Depois de ler os artigos da cordenadora da biblioteca não há músculo, fibra ou osso que consiga manter, por mais fantasmagórica que seja, uma postura que minimamente se compatibilize com a ideia de certo, desejado ou socialmente louvável! Depois de ler ... pasmo, medo, terror! Nunca mais serei o mesmo. O Mesmo? Que mesmo? Todo o meu eu se volatilizou numa negra núvem que nem como revolta, morte ou vazio se pode classificar. Nada, "nada" é o que agora sou (sou?!)"eu"! Por tudo ... obrigado querida coordenadora da biblioteca. O que seria de nós sem ti!