segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A BE E o Jornal 100 Comentários


Cogito, logo Biblioteca


Desconheço quem são os novos próceres do século XXI, os próceres desta sociedade do conhecimento e de consumismo alienável, face à ausência de cidadãos ilustres pelo valor do exemplo e pela vitalidade comprometida numa praxis comunitária ou, simplesmente, petrificados nO Grito de Munch.
Neste contexto, a transgressão só é possível em função do pensamento crítico, do lógos humano que nos permite “acolher, recolher e narrar todas as coisas”, recriando significados legíveis, próprios da liberdade ontológica que nos caracteriza.
Recriemos ou reinventemos uma nova Paideia, sinónima de Educação e de Cultura, de acordo com a tradição helénica, e, talvez paulatinamente possamos libertar-nos do sono letárgico e tanatológico em que vivemos.
No entanto, sei que se trata de mais uma ilusão obstinada e ensimesmada face à impotência sentida e vivida de recriar o mundo e suas significações, compelida e obrigada a repetir os significados estabelecidos e permitidos pelos novos pseudo-próceres, magistralmente metamorfoseados em diletantes vedetas políticas.
Exemplifiquemos, como se de uma Iluminura se tratasse: um dos motores de vitalidade da escola perpassou pela Biblioteca Escolar, dado tratar-se de uma realidade incontornável para o sucesso educativo. Só o caos determinista poderá justificar a destituição dos seus benefícios e respectivo desinvestimento nos recursos humanos, este ano lectivo.
Talvez o importante seja continuar a ver mais longe e como nos diz Montaigne “Antes uma cabeça bem feita do que uma cabeça bem cheia”…
Será este o novo arauto da Biblioteca Escolar ou tratar-se-á de mais uma cogitação ilusoriamente subversiva, por isso, haurível?
Sem veleidades, rejubilemos porque somos apenas “pensageiros” pouco presentes: sem cogitações, sem lógos e sem biblioteca!


Inês Aguiar

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