Era uma vez uma mãe que vivia com os seus dois filhos e com o seu marido nas proximidades de um palácio mágico. Mas, certo dia, o destino pregou-lhes uma partida, isto é, encarregou-se de lhes virar a vida do avesso, pois o marido faleceu. Assim sendo, a mulher encontrou-se sozinha com os seus dois filhos.
Começou assim uma vida difícil e miserável , pois a pobreza acompanhava-os diariamente. A mãe, coitadinha, esforçava-se tanto para obter alimentos para a sua família. Muitas vezes, ela não comia o dia inteiro e dava a sua parte aos seus filhos, estava muito fraca e o futuro parecia-lhe muito sombrio. Já tinha perdido a esperança e sozinha cuidava dos seus filhos, tentando satisfazer-lhes as necessidades. Às vezes, escondia-se no seu quarto e deixava-se vencer pelas emoções, chorava, olhava para o retrato do seu marido e sentia que já não aguentava mais, que se encontrava à frente de uma parede enorme e não era capaz de transpô-la. No entanto, o que lhe dava forças para continuar a lutar e vencer essa guerra, eram os seus filhos, pois eram os únicos que a apoiavam, a encorajavam e a animavam quando estava triste. O sonho desta mãe era ver os seus filhos adultos e com uma situação muito melhor do que aquela que ela lhes podia proporcionar. E talvez, se ainda tivesse forças, conhecer os seus netos e cuidar deles! Mas a realização deste sonho parecia-lhe estar muito longe, uma vez que o peso dos anos deixava uma profunda marca na sua saúde. O seu grande apoio era o seu filho mais velho, um jovem alto, formoso, de cabelo loiro, olhos azuis, charmoso e com carisma. Arthur, assim se chamava ele, sentia uma dor profunda, uma amarga dor na alma, quando via o esforço da mãe e sentia a sua incapacidade perante o seu sofrimento. Ele desejava ajudá-la, queria tirar-lhe uma parte do peso, mas ainda não era capaz.
Arthur era um grande guerreiro, que pertencia à escolta do rei, servia-o com dignidade, mas ao mesmo tempo, quando o olhava nos olhos, sentia-se invadido por sentimentos de ódio e de desprezo.
O rei Sargon era um homem forte, corajoso, respeitado, não pelas suas qualidades mas sim pelo seu mau feitio, pois atormentava com ameaças constantes os seus súbditos. Ele governava o seu reino no meio de mentiras e de muita crueldade.
Certo dia, a escolta do rei, na qual se encontrava Arthur, vinda de um campo de treino, apresentou-se ao rei. Mal viu Arthur, o rei propôs-lhe que pertencesse à sua guarda pessoal.
- O teu pai foi um grande patriota, aceitou servir o seu país e proteger-me. Espero que tu sigas o seu exemplo! És capaz de uma lealdade assim? – Perguntou e apontou o rei para um homem que se encontrava a três metros dele. Esse homem gritou:
- Longa vida a Sargon! – e, de seguida, cravou um punhal na sua mão.
- Eu…Sim, Senhor! – Disse Arthur.
- Então a fortuna e a glória serão tuas! – Afirmou o rei. Mas se tentares trair-me vais desejar que os Deuses te apliquem uma morte rápida. Para testar essa tua lealdade, tens de cumprir uma tarefa.
Ouvi dizer que és o melhor espadachim do reino!
- Aprendo muito rápido. – Afirmou Arthur.
- Tragam o prisioneiro! – Ordenou o rei.
Arthur quando viu o prisioneiro ficou petrificado.
- Este prisioneiro, disse o rei, ousou dizer mal de mim e do modo como reino. Já encontrei o castigo perfeito para ele…A morte!
- Mas ele é meu irmão ! – Afirmou Arthur.
- Eu sei, vou deixar que te livres dele rápido! – respondeu sarcasticamente Sargon.
- E verdade?! – Perguntou Arthur ao irmão.
- Sim, mas lamento muito…Disse o pobre Mathew.
Arthur curvou-se sobre o irmão, que se encontrava de joelhos, e disse-lhe baixinho:
- Não te preocupes , vou salvar-te!
O jovem guerreiro desembainhou a espada e cortou as correntes com que estava amarrado o seu irmão e ordenou:
- Foge, Mathew!
- Não, eu não te vou abandonar, vamos lutar juntos! – Disse com toda a bravura Mathew.
- O rei matou o meu pai! – Afirmou Arthur cheio de raiva e de fúria.
O meu pai foi um homem bondoso e corajoso, era uma pessoa que não se intimidava, isto é, não tinha medo de enfrentar o perigo. Da sua hierarquia de valores constavam a justiça, a verdade, a honestidade e a lealdade. Trabalhou para a sua majestade e nunca o desautorizou, aliás, mostrou ser o mais leal dos seus súbditos. No entanto, a honra e a justiça no seu íntimo falaram mais alto, ele não foi capaz de ficar de braços cruzados perante a crueldade que via à sua volta. Ele era a sua mão direita, ou seja, era uma pessoa que desejava que a paz e a justiça dominassem o nosso reino. Contudo, um dia…
- O dia da sua perdição .- Afirmou, ironicamente, Sargon.
- Naquele dia, o meu pai veio falar-lhe sobre a situação de pobreza das proximidades do palácio. A fome predominava nessa região. Ele entrou no palácio e ouviu alguns barulhos estranhos que vinham da cave e ouviu uma voz que dizia:
- Esta noite ,de lua nova, é a noite em que vai ser cumprida a profecia. Vou tornar-me imortal, invencível, nenhum inimigo me vai derrotar!
Estes barulhos despertaram a curiosidade do meu pai, havia uma escuridão que o envolvia à medida que avançava pelo caminho. Acendeu uma tocha para ter uma melhor visibilidade naquele ambiente pesado e assustador, desceu as escadas que conduziam à cave, abriu uma porta, e percorreu o corredor e no fim deste conseguiu ver uma luz avermelhada que cortava os raios escuros do seu caminho. Seguiu a luz. A voz ouvia-se, nesse momento, com mais intensidade. Coragem é que não lhe faltava, estava determinado em descobrir o que se passava. Aproximou-se da porta, que se encontrava semiaberta, e olhou cuidadosamente para dentro, mas sem ser visto Ficou mudo de espanto e petrificado. Naquele local estavam seis homens vestidos com mantos pretos, distribuídos de maneira a formarem um círculo e no centro desse círculo encontrou um rosto familiar.
- É o rei Sargon! – Pensou admirado o meu valente pai.
Ao lado do círculo, havia uma mesa dourada onde se encontravam numerosos frascos com diferentes líquidos suspeitos, o rei segurava na sua mão uma varinha mágica, com que simulava alguns movimentos circulares e verticais. A atmosfera nessa área era sombria e arrepiante, as paredes estavam todas pintadas de preto, havia esqueletos expostos num canto da sala e a luz que iluminava essa sala ligava e desligava em intervalos de segundos. Nesse momento, a luz que predominava nessa sala abafada provinha dos líquidos incandescentes e dos olhos vermelhos, terríveis e maléficos do rei Sargon. Tudo isto criava um cenário de terror. A cerimónia parecia estar no fim, só faltava um ingrediente para a receita estar pronta, isto é, um passo para que o procedimento estivesse completo. O meu pai olhou para o relógio de quartzo, que se encontrava atrás da pessoa que coordenava esse evento, e os seus ponteiros indicavam quase meia-noite. Estava na hora de colocar a cereja no topo do bolo, Sargon disse triunfante:
- Chegou o momento de transformar, governar e moldar a nossa sociedade de acordo com a minha vontade. Chegou a hora de mostrar ao mundo que eu sou o maior feiticeiro e que eu é que dito as regras, ninguém me consegue parar!
E levou à boca o frasco, que parecia cuspir chamas de diversas cores, e com uma rapidez anormal engoliu o seu conteúdo. Era meia-noite, uma hora maldita para o meu pai, ele tentou abrir mais a porta para visualizar ao pormenor os acontecimentos, no entanto, a porta fez muito barulho e chamou a atenção das pessoas que se encontravam na sala, incluindo a do rei. O meu pai, perante o facto de ter sido descoberto, não encontrou outra alternativa a não ser fugir. O feiticeiro como já possuía o poder supremo da imortalidade e outros poderes supernaturais, foi atrás daquele intruso. Num segundo, o meu pobre pai estava encurralado, não tinha como escapar.
Foi trazido à sala, onde decorria a cerimónia, e foi aí que encontrou o seu fim. – Afirmou Arthur muito furioso.
- O teu pai foi um traidor, aliás como todos vocês! – Gritou Sargon.
Como já conheces o meu segredo, ainda que não o saibas na sua totalidade, vais ter a mesma morte que o teu pai! - Afirmou o rei.
A seguir, chamou os seus guardas. Arthur e o seu irmão viram uma grande horda de soldados. Calcularam que havia um desequilíbrio de forças entre eles e o inimigo. Naquele momento crítico, a única ideia que lhes passou pela cabeça foi fugirem. Saíram rapidamente do palácio, montaram o cavalo de Arthur e fugiram daquele monstruoso rei.
O rei Sargon furioso, gritou:
- Isto não acaba assim !
Dirigiu-se ao armazém de armas e entre todas as espadas, as lanças e os arcos, tirou um punhal ao qual lançou um feitiço, com o qual pretendia vingar-se de Arthur, que era agora o seu pior inimigo.
Assim, enquanto Arthur e Mathew estavam a afastar-se do palácio, o punhal enfeitiçado seguia-os à velocidade da luz, nenhuma pessoa , nenhum obstáculo conseguia detê-lo. Aproximou-se cada vez mais dos irmãos e ficou cravado nas costas de Mathew, em vez das do Arthur, como era a intenção inicial.
Arthur sentiu o seu irmão a cair em cima dele. Continuou a sua viagem durante mais algum tempo, até se afastar o suficiente do esconderijo do seu pior inimigo. Parou o cavalo e viu o seu irmão cheio de sangue. Percebeu de imediato que estava por trás deste infeliz acontecimento. Naquele momento, Arthur sentiu uma dor enorme e profunda no peito.
- Primeiro o meu pai e agora o meu irmão. Quando é que este monstro vai parar de fazer tantas vítimas?! – Gritou Arthur cheio de ódio e de fúria.
Sendo assim, o nosso corajoso guerreiro decidiu encontrar uma maneira de enfrentar o rei.
A solução para o seu problema seria uma arma suficientemente poderosa para vencer o assassino do seu pai e do seu irmão. Essa arma chamava-se Excalibur. Excalibur é uma espada que se encontrava presa numa rocha, bem escondida numa floresta encantada. Arthur voltou para casa e a sua mãe, que estava preocupada, ficou muito contente por vê-lo, mas simultaneamente tinha a sensação que o coração lhe ia saltar do peito. Começou a chorar lágrimas de sangue ao saber que tinha perdido o seu filho mais novo. Arthur partilhou os seus planos de vingança com a mãe. Ela ficou muito assustada e preocupada com a ida do seu único filho para uma viagem tão perigosa. Mas, ele tentou acalmá-la e assegurou-lhe que tudo iria correr bem. Confessou-lhe que não ia sozinho, ia com o seu melhor amigo, Charles, a pessoa em que ele mais confiava.
No dia seguinte, Charles e Arthur iniciaram a sua viagem. Seguiram a trajectória pré-estabelecida e, à entrada da floresta encantada, encontraram-se com uma rapariga morena de olhos castanhos e muito bonita.
- Eu conheço o objectivo da tua viagem e quero ajudar-te. Conheço esta floresta como a palma da minha mão – Afirmou a desconhecida.
- Mas por que razão queres ajudar-me? – Perguntou curioso Arthur.
- A bruxa que vive aqui matou os meus pais – Respondeu Alice cheia de raiva.
Os três viajantes entraram na floresta e passado algum tempo, encontraram a Excalibur. Arthur conseguiu tirá-la da rocha, mas ouviu um barulho vindo das árvores de diamante. Tinha chegado a bruxa que habitava nesse local. Arthur, sem nenhuma hesitação, cravou a espada no coração da monstruosa criatura.
Após este episódio, regressaram ao reino do rei Sargon. Estava um dia chuvoso, até parecia que o céu estava a chorar. Todo este ambiente triste previa a luta horrível que se iria travar.
Os três amigos entraram no palácio e encontraram os guardas reais e nesse preciso momento ouviram:
- Deixem-nos passar, eu trato deles! – Ordenou o rei e continuou:
Ainda estás vivo, não seguiste o teu pai às profundezas do inferno?
- Sim, infelizmente para a sua Excelência, estou mais vivo do que nunca e o Senhor vai pagar todas as suas barbaridades, isso lhe posso garantir! – Afirmou o valente Arthur.
O rei agora estava mais forte do que nunca, era imortal; todavia tinha um ponto fraco, o seu calcanhar. Arthur tinha consciência disso, isto é, conhecia o seu segredo. Desembainhou a espada, Excalibur, e dirigiu-se rapidamente a ele, tal como um leão à sua presa, mas quando se aproximou dele a sua mãe entrou e gritou:
- Não, meu filho não faças isso, ele é o teu pai!
Toda gente ficou espantada. Arthur estava a escassos centímetros de cravar a espada no calcanhar de Sargon.
- É por isso que o meu punhal envenenado não te atingiu! – Afirmou admirado o rei.
Tu és o meu filho, o meu herdeiro!
- Mas o meu pai faleceu e por sua causa! – exclamou Arthur confusamente.
- Esse não era o teu pai! Enfim, viveste até agora numa mentira, o rei Sargon é o teu pai, acredita em mim! – Afirmou a mãe do Arthur. Arthur não conseguia acreditar, o seu pai estava vivo e naquele local, antes cheio de inimigos e agora cheio de amigos e familiares. Assim , Arthur recebeu como herança do seu pai, o trono e todo o seu poder. A sua mãe e a família de Charles passaram a viver no castelo e nunca mais voltaram a passar fome. Tinham uma vida muito boa e tranquila. O nosso guerreiro casou com a mulher da sua vida, a Alice. Governaram juntos e viveram felizes para sempre, tendo então assim, o poder do sangue sido mais forte que o poder do ódio.
Começou assim uma vida difícil e miserável , pois a pobreza acompanhava-os diariamente. A mãe, coitadinha, esforçava-se tanto para obter alimentos para a sua família. Muitas vezes, ela não comia o dia inteiro e dava a sua parte aos seus filhos, estava muito fraca e o futuro parecia-lhe muito sombrio. Já tinha perdido a esperança e sozinha cuidava dos seus filhos, tentando satisfazer-lhes as necessidades. Às vezes, escondia-se no seu quarto e deixava-se vencer pelas emoções, chorava, olhava para o retrato do seu marido e sentia que já não aguentava mais, que se encontrava à frente de uma parede enorme e não era capaz de transpô-la. No entanto, o que lhe dava forças para continuar a lutar e vencer essa guerra, eram os seus filhos, pois eram os únicos que a apoiavam, a encorajavam e a animavam quando estava triste. O sonho desta mãe era ver os seus filhos adultos e com uma situação muito melhor do que aquela que ela lhes podia proporcionar. E talvez, se ainda tivesse forças, conhecer os seus netos e cuidar deles! Mas a realização deste sonho parecia-lhe estar muito longe, uma vez que o peso dos anos deixava uma profunda marca na sua saúde. O seu grande apoio era o seu filho mais velho, um jovem alto, formoso, de cabelo loiro, olhos azuis, charmoso e com carisma. Arthur, assim se chamava ele, sentia uma dor profunda, uma amarga dor na alma, quando via o esforço da mãe e sentia a sua incapacidade perante o seu sofrimento. Ele desejava ajudá-la, queria tirar-lhe uma parte do peso, mas ainda não era capaz.
Arthur era um grande guerreiro, que pertencia à escolta do rei, servia-o com dignidade, mas ao mesmo tempo, quando o olhava nos olhos, sentia-se invadido por sentimentos de ódio e de desprezo.
O rei Sargon era um homem forte, corajoso, respeitado, não pelas suas qualidades mas sim pelo seu mau feitio, pois atormentava com ameaças constantes os seus súbditos. Ele governava o seu reino no meio de mentiras e de muita crueldade.
Certo dia, a escolta do rei, na qual se encontrava Arthur, vinda de um campo de treino, apresentou-se ao rei. Mal viu Arthur, o rei propôs-lhe que pertencesse à sua guarda pessoal.
- O teu pai foi um grande patriota, aceitou servir o seu país e proteger-me. Espero que tu sigas o seu exemplo! És capaz de uma lealdade assim? – Perguntou e apontou o rei para um homem que se encontrava a três metros dele. Esse homem gritou:
- Longa vida a Sargon! – e, de seguida, cravou um punhal na sua mão.
- Eu…Sim, Senhor! – Disse Arthur.
- Então a fortuna e a glória serão tuas! – Afirmou o rei. Mas se tentares trair-me vais desejar que os Deuses te apliquem uma morte rápida. Para testar essa tua lealdade, tens de cumprir uma tarefa.
Ouvi dizer que és o melhor espadachim do reino!
- Aprendo muito rápido. – Afirmou Arthur.
- Tragam o prisioneiro! – Ordenou o rei.
Arthur quando viu o prisioneiro ficou petrificado.
- Este prisioneiro, disse o rei, ousou dizer mal de mim e do modo como reino. Já encontrei o castigo perfeito para ele…A morte!
- Mas ele é meu irmão ! – Afirmou Arthur.
- Eu sei, vou deixar que te livres dele rápido! – respondeu sarcasticamente Sargon.
- E verdade?! – Perguntou Arthur ao irmão.
- Sim, mas lamento muito…Disse o pobre Mathew.
Arthur curvou-se sobre o irmão, que se encontrava de joelhos, e disse-lhe baixinho:
- Não te preocupes , vou salvar-te!
O jovem guerreiro desembainhou a espada e cortou as correntes com que estava amarrado o seu irmão e ordenou:
- Foge, Mathew!
- Não, eu não te vou abandonar, vamos lutar juntos! – Disse com toda a bravura Mathew.
- O rei matou o meu pai! – Afirmou Arthur cheio de raiva e de fúria.
O meu pai foi um homem bondoso e corajoso, era uma pessoa que não se intimidava, isto é, não tinha medo de enfrentar o perigo. Da sua hierarquia de valores constavam a justiça, a verdade, a honestidade e a lealdade. Trabalhou para a sua majestade e nunca o desautorizou, aliás, mostrou ser o mais leal dos seus súbditos. No entanto, a honra e a justiça no seu íntimo falaram mais alto, ele não foi capaz de ficar de braços cruzados perante a crueldade que via à sua volta. Ele era a sua mão direita, ou seja, era uma pessoa que desejava que a paz e a justiça dominassem o nosso reino. Contudo, um dia…
- O dia da sua perdição .- Afirmou, ironicamente, Sargon.
- Naquele dia, o meu pai veio falar-lhe sobre a situação de pobreza das proximidades do palácio. A fome predominava nessa região. Ele entrou no palácio e ouviu alguns barulhos estranhos que vinham da cave e ouviu uma voz que dizia:
- Esta noite ,de lua nova, é a noite em que vai ser cumprida a profecia. Vou tornar-me imortal, invencível, nenhum inimigo me vai derrotar!
Estes barulhos despertaram a curiosidade do meu pai, havia uma escuridão que o envolvia à medida que avançava pelo caminho. Acendeu uma tocha para ter uma melhor visibilidade naquele ambiente pesado e assustador, desceu as escadas que conduziam à cave, abriu uma porta, e percorreu o corredor e no fim deste conseguiu ver uma luz avermelhada que cortava os raios escuros do seu caminho. Seguiu a luz. A voz ouvia-se, nesse momento, com mais intensidade. Coragem é que não lhe faltava, estava determinado em descobrir o que se passava. Aproximou-se da porta, que se encontrava semiaberta, e olhou cuidadosamente para dentro, mas sem ser visto Ficou mudo de espanto e petrificado. Naquele local estavam seis homens vestidos com mantos pretos, distribuídos de maneira a formarem um círculo e no centro desse círculo encontrou um rosto familiar.
- É o rei Sargon! – Pensou admirado o meu valente pai.
Ao lado do círculo, havia uma mesa dourada onde se encontravam numerosos frascos com diferentes líquidos suspeitos, o rei segurava na sua mão uma varinha mágica, com que simulava alguns movimentos circulares e verticais. A atmosfera nessa área era sombria e arrepiante, as paredes estavam todas pintadas de preto, havia esqueletos expostos num canto da sala e a luz que iluminava essa sala ligava e desligava em intervalos de segundos. Nesse momento, a luz que predominava nessa sala abafada provinha dos líquidos incandescentes e dos olhos vermelhos, terríveis e maléficos do rei Sargon. Tudo isto criava um cenário de terror. A cerimónia parecia estar no fim, só faltava um ingrediente para a receita estar pronta, isto é, um passo para que o procedimento estivesse completo. O meu pai olhou para o relógio de quartzo, que se encontrava atrás da pessoa que coordenava esse evento, e os seus ponteiros indicavam quase meia-noite. Estava na hora de colocar a cereja no topo do bolo, Sargon disse triunfante:
- Chegou o momento de transformar, governar e moldar a nossa sociedade de acordo com a minha vontade. Chegou a hora de mostrar ao mundo que eu sou o maior feiticeiro e que eu é que dito as regras, ninguém me consegue parar!
E levou à boca o frasco, que parecia cuspir chamas de diversas cores, e com uma rapidez anormal engoliu o seu conteúdo. Era meia-noite, uma hora maldita para o meu pai, ele tentou abrir mais a porta para visualizar ao pormenor os acontecimentos, no entanto, a porta fez muito barulho e chamou a atenção das pessoas que se encontravam na sala, incluindo a do rei. O meu pai, perante o facto de ter sido descoberto, não encontrou outra alternativa a não ser fugir. O feiticeiro como já possuía o poder supremo da imortalidade e outros poderes supernaturais, foi atrás daquele intruso. Num segundo, o meu pobre pai estava encurralado, não tinha como escapar.
Foi trazido à sala, onde decorria a cerimónia, e foi aí que encontrou o seu fim. – Afirmou Arthur muito furioso.
- O teu pai foi um traidor, aliás como todos vocês! – Gritou Sargon.
Como já conheces o meu segredo, ainda que não o saibas na sua totalidade, vais ter a mesma morte que o teu pai! - Afirmou o rei.
A seguir, chamou os seus guardas. Arthur e o seu irmão viram uma grande horda de soldados. Calcularam que havia um desequilíbrio de forças entre eles e o inimigo. Naquele momento crítico, a única ideia que lhes passou pela cabeça foi fugirem. Saíram rapidamente do palácio, montaram o cavalo de Arthur e fugiram daquele monstruoso rei.
O rei Sargon furioso, gritou:
- Isto não acaba assim !
Dirigiu-se ao armazém de armas e entre todas as espadas, as lanças e os arcos, tirou um punhal ao qual lançou um feitiço, com o qual pretendia vingar-se de Arthur, que era agora o seu pior inimigo.
Assim, enquanto Arthur e Mathew estavam a afastar-se do palácio, o punhal enfeitiçado seguia-os à velocidade da luz, nenhuma pessoa , nenhum obstáculo conseguia detê-lo. Aproximou-se cada vez mais dos irmãos e ficou cravado nas costas de Mathew, em vez das do Arthur, como era a intenção inicial.
Arthur sentiu o seu irmão a cair em cima dele. Continuou a sua viagem durante mais algum tempo, até se afastar o suficiente do esconderijo do seu pior inimigo. Parou o cavalo e viu o seu irmão cheio de sangue. Percebeu de imediato que estava por trás deste infeliz acontecimento. Naquele momento, Arthur sentiu uma dor enorme e profunda no peito.
- Primeiro o meu pai e agora o meu irmão. Quando é que este monstro vai parar de fazer tantas vítimas?! – Gritou Arthur cheio de ódio e de fúria.
Sendo assim, o nosso corajoso guerreiro decidiu encontrar uma maneira de enfrentar o rei.
A solução para o seu problema seria uma arma suficientemente poderosa para vencer o assassino do seu pai e do seu irmão. Essa arma chamava-se Excalibur. Excalibur é uma espada que se encontrava presa numa rocha, bem escondida numa floresta encantada. Arthur voltou para casa e a sua mãe, que estava preocupada, ficou muito contente por vê-lo, mas simultaneamente tinha a sensação que o coração lhe ia saltar do peito. Começou a chorar lágrimas de sangue ao saber que tinha perdido o seu filho mais novo. Arthur partilhou os seus planos de vingança com a mãe. Ela ficou muito assustada e preocupada com a ida do seu único filho para uma viagem tão perigosa. Mas, ele tentou acalmá-la e assegurou-lhe que tudo iria correr bem. Confessou-lhe que não ia sozinho, ia com o seu melhor amigo, Charles, a pessoa em que ele mais confiava.
No dia seguinte, Charles e Arthur iniciaram a sua viagem. Seguiram a trajectória pré-estabelecida e, à entrada da floresta encantada, encontraram-se com uma rapariga morena de olhos castanhos e muito bonita.
- Eu conheço o objectivo da tua viagem e quero ajudar-te. Conheço esta floresta como a palma da minha mão – Afirmou a desconhecida.
- Mas por que razão queres ajudar-me? – Perguntou curioso Arthur.
- A bruxa que vive aqui matou os meus pais – Respondeu Alice cheia de raiva.
Os três viajantes entraram na floresta e passado algum tempo, encontraram a Excalibur. Arthur conseguiu tirá-la da rocha, mas ouviu um barulho vindo das árvores de diamante. Tinha chegado a bruxa que habitava nesse local. Arthur, sem nenhuma hesitação, cravou a espada no coração da monstruosa criatura.
Após este episódio, regressaram ao reino do rei Sargon. Estava um dia chuvoso, até parecia que o céu estava a chorar. Todo este ambiente triste previa a luta horrível que se iria travar.
Os três amigos entraram no palácio e encontraram os guardas reais e nesse preciso momento ouviram:
- Deixem-nos passar, eu trato deles! – Ordenou o rei e continuou:
Ainda estás vivo, não seguiste o teu pai às profundezas do inferno?
- Sim, infelizmente para a sua Excelência, estou mais vivo do que nunca e o Senhor vai pagar todas as suas barbaridades, isso lhe posso garantir! – Afirmou o valente Arthur.
O rei agora estava mais forte do que nunca, era imortal; todavia tinha um ponto fraco, o seu calcanhar. Arthur tinha consciência disso, isto é, conhecia o seu segredo. Desembainhou a espada, Excalibur, e dirigiu-se rapidamente a ele, tal como um leão à sua presa, mas quando se aproximou dele a sua mãe entrou e gritou:
- Não, meu filho não faças isso, ele é o teu pai!
Toda gente ficou espantada. Arthur estava a escassos centímetros de cravar a espada no calcanhar de Sargon.
- É por isso que o meu punhal envenenado não te atingiu! – Afirmou admirado o rei.
Tu és o meu filho, o meu herdeiro!
- Mas o meu pai faleceu e por sua causa! – exclamou Arthur confusamente.
- Esse não era o teu pai! Enfim, viveste até agora numa mentira, o rei Sargon é o teu pai, acredita em mim! – Afirmou a mãe do Arthur. Arthur não conseguia acreditar, o seu pai estava vivo e naquele local, antes cheio de inimigos e agora cheio de amigos e familiares. Assim , Arthur recebeu como herança do seu pai, o trono e todo o seu poder. A sua mãe e a família de Charles passaram a viver no castelo e nunca mais voltaram a passar fome. Tinham uma vida muito boa e tranquila. O nosso guerreiro casou com a mulher da sua vida, a Alice. Governaram juntos e viveram felizes para sempre, tendo então assim, o poder do sangue sido mais forte que o poder do ódio.
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